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Campo Grande, Quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2020

31/01/2020 14:24

Advocacia: o desafio de conciliar maternidade e carreira profissional

Por Amanda Romero (*)

Primeiramente, é necessário que se reafirme aquela velha frase que geralmente é dita por nossas mães, tias e avós: “Quando você for mãe, saberá o que eu passo” e com isso em mente, começo essa reflexão, com o intuito não só de enumerar os desafios que a dupla árdua jornada trás: maternidade e advocacia; mas para compartilhar que é possível e que nenhuma mãe está só nessa rotina!

Como sabemos desde a faculdade vencemos desafios diários até alcançar o tão almejado diploma! No final dos longos cinco anos, geralmente associados a um estágio em órgão público ou escritório, vem TCC, Exame de Ordem e então, finalmente, nos tornamos advogados, (alguns até levam um tempinho mais, mas esse é um assunto para tratarmos outra hora) e, por fim, estamos no mercado de trabalho!

Daí em diante, vem pós-graduação e as várias especializações necessárias para compor um bom profissional, em qualquer profissão.

Ainda que esse seja o início de vida profissional de várias advogadas, outras têm outros rumos, outras vertentes, outras histórias mais ou menos sinuosas e quando vem a maternidade, seja ela planejada ou não, começam os vários obstáculos que são vencidos diariamente para aquelas que optam em manter a dupla jornada de mãe e profissional.

Não existe uma receita de bolo para saber o que fazer e estabelecer suas metas e prioridades pessoais ou profissionais após a maternidade. Certo é que dentre as opções, muitas mães (seja qual profissão for) acabam desistindo ou se afastando temporariamente de suas funções profissionais, para dedicar-se à maternidade.

Se sua dedicação é pela maternidade integral; se cabe em sua realidade financeira; se a questão profissional não está entre suas prioridades ou planejamento de vida; se há estabilidade profissional ou alguma tranquilidade de que o retorno à carreira profissional será viável após a pausa; se sua visão de maternidade envolve essa abdicação e certo grau de risco não te tiram o sono; ou ainda, se há alguma questão específica que exige: tudo bem! É uma decisão tão corajosa e desafiadora quanto seguir com a dupla jornada.

O que não podemos perder de vista, é que conforme pesquisa realizada pela FGV/EPGE, divulgada em 2018, metade das mulheres brasileiras ficam “desempregadas” um ano após ter filho, seja por demissão por parte do empregador ou por iniciativa da profissional.

O fato é que a presença de um filho na família é um dos motivos mais significantes (dentre tantos outros) capazes de diminuir a participação da mulher no mercado de trabalho, sendo que, quanto menor o nível de escolaridade, maiores são os números desse afastamento, por escolha ou por falta dela.

Não há como ignorar o fato de que estamos vivendo a era do empoderamento feminino, da luta pela igualdade de gênero, onde as mulheres e também mães, vêm saindo do status de figura de submissão para disputar de maneira igualitária com o homem, porém, trata-se de um preço muito mais alto diante dos desafios da maternidade.

Imagino ser possível, embora extremamente difícil, como quase tudo que envolve advocacia e os problemas já enfrentados na luta pela igualdade de gênero, conciliar maternidade e profissão se isso retratar sua realidade e seus planos.

Entendo que são três passos essenciais e indispensáveis para tanto, quais sejam: i) cerque-se de pessoas que acreditam em você e na sua capacidade, como mãe e como profissional; ii) buscar mulheres e mães que assim como você, enfrentam tais dificuldades; iii) organize-se quanto aos horários, rotinas, a criar checklist e agendamento de cada função e a se dedicar ao que está fazendo a cada momento (quando estiver com o filho, viva esse momento; quando estiver no trabalho, concentre-se nele o máximo possível); iv) supere seus limites e seja ainda melhor profissionalmente do que era antes da maternidade, pois o mercado vai exigir isso, quando te testa e até duvida de sua capacidade de conciliar as funções profissionais diante das prioridades pessoais; e por último, mas não menos importante; iv) tenha segurança para enfrentar o inevitável julgamento que insiste em questionar os motivos de você, como mãe, estar trabalhando fora e não cuidando exclusivamente de sua prole.

Por fim, para que uma profissional, seja ela advogada ou não, possa pensar em um futuro melhor para seus filhos, distante ao menos conscientemente da desigualdade de gênero que assola o País, é indispensável fazer parte da luta, direta ou indiretamente, ainda que em posição de apoio.

Como mãe recente, posso assegurar: Você pode conciliar o desafio de ser uma ótima mãe e uma ótima profissional, você pode escolher (se for uma escolha), lembrando todos os dias: você pode, você pode!

(*) Amanda Romero é graduada no Curso de Direito, pela Universidade Anhanguera Uniderp. Pós-graduanda em Direito Penal e Processo Penal: Corrupção, Crime e Organizado e Democracia pela EDAMP – Escola de Direito do Ministério Público. Pós-Graduanda em Direito Eleitoral pela IBFPOS – Instituo Brasileiro de Formação. 

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