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Amapá, a triste imagem dos poderes

Por Benedicto Ismael Camargo Dutra (*) | 26/11/2020 08:05

Com 24 deputados estaduais, oito federais, além dos prefeitos e vereadores, governante e judiciário, o Amapá é bem o retrato do Brasil caótico. Não quiseram enxergar a displicência na gestão pública. Assim tem sido no Brasil. Muitos políticos fazem qualquer coisa para conseguir uma cadeira no poder, para depois abandonarem os eleitores à própria sorte. Mas agora tudo está vindo à tona e mesmo assim continuam mentindo e enganando a população, vendendo o Brasil para quem der mais. O eleitor tem de votar bem, escolhendo aqueles que respeitam o dinheiro público, canalizando-o para as necessidades e prioridades; aqueles que tenham um real empenho na construção de uma cidade que seja um lar de seres humanos, e excluir os maus que só pensam em si, para que possamos evoluir em paz e alegria.

As eleições exigem muito discernimento. Se os eleitores continuarem escolhendo o refugo político, tudo continuará afundando. Esperemos que o eleitorado seja inspirado em sua escolha. Quando D. Pedro II subiu ao trono em 1840, 92% da população brasileira era analfabeta; em seu último ano de reinado, em 1889, essa porcentagem era de 56%, devido ao grande incentivo à educação, à construção de Faculdades e, principalmente, de inúmeras escolas que tinham como modelo o excelente Colégio Pedro II. Hoje, grande parte da população não consegue ler e entender um texto. Sem discernimento, o eleitor vota em qualquer um porque a educação foi declinando no país. O que se observa é que já faz tempo que há um pandemônio educacional reforçado pela programação da televisão.

Reiniciar na direção certa vai ficando cada vez mais difícil. Falta seriedade. Os planos enveredam pelo imediatismo e interesses particulares. O despreparo aumenta, não há uma visão de futuro comum voltada para a construção de longo prazo. Tudo vai caindo na alienação. Estamos atravessando uma fase bem difícil. Durante décadas, o Brasil foi sendo enterrado e não dá para sair da lama de uma vez, mas é preciso que haja firmeza e perseverança para extirpar a parte que ficou podre.

É imprescindível recuperar o equilíbrio fiscal de forma sadia, mas como produzir e arrecadar mais, gerar empregos e modificar a tendência de importar tudo? Perdemos a naturalidade do desenvolvimento, enquanto o descontrole fiscal avançava com a gestão inconsequente. A dívida ficou alta, mas todos querem mandar e levar vantagens. Tardiamente, acabou o tabelamento do preço do dólar mantido barato artificialmente com juros caros.

Os recursos naturais estão aí para auxiliar os seres humanos. As potências globais estão de olho, fazendo de tudo para manter o país na mornidão, a fim de que possam lançar mão das riquezas cobiçadas como já vêm fazendo de longa data. Como se recuperar desse assalto? A educação é fundamental, pois um povo indolente, inculto, sem discernimento, é presa fácil dos conquistadores que agem na calada da noite, solapando as bases que sustentam a nacionalidade e o esforço pelo bem geral.

E chegou a epidemia que parou o planeta. O que fazer com a interrupção da circulação do dinheiro, o motor das atividades? Falta objetivo comum dos poderes de ressuscitar o Brasil que se acha na UTI com falência na indústria, empregos, renda, educação. Se a classe política ao menos fosse patriota e não entregasse o país por qualquer punhado de dólares, então talvez fosse menos difícil a tarefa de produzir manufaturas e enfrentar a concorrência. O dólar foi deixado barato com sangria de recursos em juros para deixar baratos os importados e acabou travando a produção. Que política econômica foi essa?

 As transformações vão chegando de forma acelerada. Os políticos eleitos não têm cumprido sua tarefa de forma responsável. Quais são os planos e objetivos da elite dominante? Há um esforço generalizado para a desumanização e embrutecimento da espécie humana em vez de levá-la ao aprimoramento. A quarentena está gerando aumento do desânimo. O cérebro pressionado, submetido a constante estresse, tem apresentado doenças que não havia num tempo em que o viver seguia um ritmo mais natural.


(*) Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP.

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