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Campo Grande, Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2017

22/02/2011 06:25

Apoio à agropecuária e a segurança alimentar

Por João Guilherme Sabino Ometto (*)

O ano de 2011 inicia-se com uma pergunta chave, que dominará os debates sobre a política macroeconômica ao longo dos próximos meses: como se comportarão os preços dos produtos alimentícios, após terem contribuído com 39% do IPCA, medido pelo IBGE, em 2010? A questão, alinhada ao tema mundial da segurança alimentar, certamente não encontrará unanimidade entre os experientes analistas do mercado agropecuário, pois o ano passado foi prodigioso no sentido de “furar” as mais embasadas previsões.

Um bom exemplo é a carne bovina. A oscilação de seus preços decorreu de duas causas: a redução da quantidade disponível para consumo nos principais produtores, como Argentina, Estados Unidos e Austrália, em função do maior abate de matrizes, iniciado em 2006; e o crescimento da massa salarial do brasileiro, de 34% nos últimos cinco anos, que pressionou a oferta já combalida. Como resultado, o preço testou vários patamares ao longo ano, chegando a um aumento acumulado de quase 30%, surpreendendo a muitos.

Outros itens, como o leite e o feijão, encontram nas intempéries, como as secas prolongadas ou as chuvas em excesso, grande parte das explicações pela elevação dos preços. Embora se possa prever com relativa confiabilidade a ocorrência desses fenômenos, dificilmente acerta-se na sua intensidade. No caso do açúcar, a Índia continua sendo o grande fator de desequilíbrio de um mercado internacional demandante.

É muito provável que, para alguns segmentos do agronegócio, as majorações gerem estímulos ao incremento da produção, com impactos positivos nos vários produtos que compõem a cesta “alimentos e bebidas”, monitorada pelo IBGE, como o feijão e o leite. Entretanto, as intempéries, os desajustes da produção mundial e o aquecimento econômico dos países em desenvolvimento, com destaque para o Brasil, podem contrariar essa lógica.

É justamente nesse cenário de pressão de preços de alimentos, resultante da demanda esticada e da oferta curta, que é enfático o papel do Brasil como um dos mais importantes supridores. Temos respondido com eficácia ao incremento de oferta, com ganhos sucessivos de produtividade, como no emblemático caso dos grãos: desde 1990, esses foram cerca de três vezes superiores à média internacional, o que contribuiu para que o mundo acumulasse um tênue, mas importante superávit nesse grupo de produtos. O exemplo estende-se, como é sabido, a vários outros setores.

Dado o papel de protagonismo do País nesse sensível equilíbrio em termos de abastecimento mundial, fica o alerta de que necessitamos dar seguimento aos ganhos massivos de produtividade. É por essa razão que parece mais lógico o Governo Federal olhar para o produtor brasileiro antes das safras, para entender a sua realidade e atender às suas legítimas necessidades, como um seguro agrícola eficiente e acessível e um forte incremento dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento.

Tal atitude seria muito melhor do que constatar, nos futuros índices de preços de alimentos, que poderia ter feito algo a mais pelo setor, pelos brasileiros e pelo mundo, pois nosso país é o que tem as melhores respostas para a prioritária questão da segurança alimentar.

(*) João Guilherme Sabino Ometto é engenheiro e vice-presidente da Fiesp.

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