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Campo Grande, Terça-feira, 17 de Outubro de 2017

09/07/2013 06:00

Calcário líquido: geração espontânea ou milagre?

Por Renato Roscoe (*)

Muito se tem falado sobre o calcário líquido. Questiona-se a sua eficiência e capacidade de realmente atender ao que vem sendo divulgado por fabricantes. Afinal, calcário líquido é mesmo corretivo da acidez do solo? Seria ele eficiente?

A eficiência dos corretivos vem sendo discutida desde o início das pesquisas agrícolas no Brasil. Existe uma extensa literatura sobre o tema e são claras as normas estabelecidas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). É considerado corretivo de acidez: “produto que promove a correção da acidez do solo, além de fornecer cálcio, magnésio ou ambos”. Neste ponto, não se pode discutir que o produto chamado de “calcário líquido” enquadra-se como “corretivo de acidez”, pois efetivamente tem esse efeito.

Mas o problema não é esse. A questão está nas doses que vêm sendo recomendadas pelos fabricantes. Embora seja um corretivo de solo, nas doses recomendadas não pode alterar de forma significativa a acidez do solo e muito menos neutralizar o alumínio tóxico.

Tomando um exemplo do mercado, em que o fabricante recomenda 10 litros do produto por hectare, estariam sendo aplicados cerca de 3 (três) quilogramas de cálcio (Ca) e 1 (um) quilograma de magnésio (Mg) por hectare. Fazendo a equivalência em carbonato de cálcio (padrão do MAPA para mensuração dos corretivos), seria equivalente a pouco menos de 12 (doze) quilogramas de calcário com PRNT (Poder Relativo de Neutralização Total) de 100%!

Esse valor poderia ser dobrado caso o “calcário líquido” na realidade fosse composto por óxido de Ca e de Mg. Ou seja, na melhor das hipóteses, 10 litros desse produto equivaleriam a menos de 25 quilogramas de calcário PRNT 100%. Essas doses são absolutamente irrisórias para a correção da acidez de solos agrícolas típicos, os quais exigem com freqüência quantidades acima de 2.000 kg de calcário PRNT 100% por hectare.

Bem, mas o produto poderia ainda ser utilizado como fonte de Ca e Mg, certo? Nas doses recomendadas, também não! Dez litros do produto que estamos utilizando como exemplo trariam 3 kg de Ca e 1 kg de Mg. Uma lavoura de soja produzindo 50 sacos por hectare exporta 9 kg de Ca e 6 kg de Mg. Ou seja, 10 litros do produto seria suficiente para repor somente 33% do Ca e 15% do Mg que seriam retirados anualmente pela cultura da soja. Se o produtor ainda tiver o milho safrinha, a reposição é ainda menor!

Portanto, a aplicação de “calcário líquido” nas doses recomendadas não está contribuindo significativamente para a correção do solo e nem repondo as exportações das culturas. Nessa situação o produtor estará consumindo os estoques de Ca e Mg de seu solo. O fato de as partículas do “calcário líquido” serem pequenas o suficiente para que esse produto permaneça em suspensão em água, interfere em sua reatividade final, mas não multiplica a quantidade de Ca e Mg contida em cada litro do produto. Ainda não existe a “geração espontânea” de elementos químicos! Desconfiem de milagres...

(*) Renato Roscoe é engenheiro agrônomo, mestre em ciência do solo, doutor em environmental sciences e diretor executivo e pesquisador no setor fertilidade do solo na Fundação MS.

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Já existe pesquisa séria e imparcial sobre o produto, confiram apresentação do trabalho no link: http://fundacaoprocafe.com.br/sites/default/files/publicacoes/pdf/2%20-%20Efeito%20do%20calc%C3%A1rio%20l%C3%ADquido,%20cal%20virgem%20dolom%C3%ADtica%20e%20calc%C3%A1rio%20comum%20na%20corre%C3%A7%C3%A3o%20do%20solo.pdf
 
Felipe Campos Figueiredo em 27/01/2014 17:21:22
E no mínimo esses que defendem devem ser os fabricantes e vendedores do calcário líquido. Eu falo mal não porque aprendi umas contas na faculdade como disse o senhor Mauricio e sim porque realizamos testes usando até 40 litros por ha e a análise química do solo não mostrou diferença no pH, nem em Al, nem CTC e nem em nada.
 
Marcelo Raul Schmidt em 22/01/2014 17:43:38
Poderia um prefessor de quimica,um cientista, um agrônomo ligado no assunto explicar os pormenores da reação quimica!!!??? A esquematização da reação quimica vai definir o q é verdade, será???!!
 
João Gilberto Corsato em 04/11/2013 09:43:20
www.mscalcario.com.br
 
higor schmidt em 23/10/2013 15:19:58
Gostaria de fornecer algumas informações sobre aplicação e resultados do uso de calcário líquido em pastagens de braquiárias na região de Porto Velho, Rondônia. Apliquei 10 litros de calcário líquido dolomítico/ ha mais 300 kg/ha de adubo fosfatado orgânico em 900 ha de pastagens, no período de outubro de 2012 a janeiro de 2013. Posso dizer a vcs que o resultado nas pastagens foi fantástico, o que não acompanhou as análises de solo, em partes. Explico: O Ph saiu de 3,9 para 5,5 em média e o alumínio veio de mais de 30 para praticamente 0 em todas as analíses. Já P, K, Ca, Mg e saturação de base permaneceram acima do esperado.Toda a coleta de solo bem como as análises foram feitas pelos técnicos da Embrapa-RO..Como zootecnista e proprietário rural com mais de 40 anos de amazônia e pelos re
 
MARCIO SILVA MALUF em 28/09/2013 17:09:55
MUITO TEM SE FALADO SOBRE O TAL CALCÁRIO LIQUIDO A GRANDE MENORIA FALA MAL MAIS NEM SE QUER USARAM O PRODUTO OU CONHECEM ALGUÉM QUE USOU E NÃO DEU RESULTADO.
OS QUE FALAM MAL POIS A MAIORIA TEM PARCERIA COM MINERADORAS DE CALCÁRIO EM PO.
EU POSSO DIZER UMA COISA USEI O PRODUTO E FUNCIONA MESMO USEI DE DUAS MANEIRAS VIA PULVERIZADOR 15 LITROS HA.
E VIA SUCO 12 LITROS HA A DIFERENÇA A OLHO E GRANDE .
AGORA ANTES DE FICAREM FALANDO TANTO MAL DE UM PRODUTO SÓ PORQUE A PREDERAM NA FACULDADE UMAS CONTAS NÃO QUER DIZER QUE O PRODUTO NÃO E BOM. EU RECOMENDO POIS USEI E E ÓTIMO PRA MIM FOI OTIMO
 
Mauricio kaubata em 06/09/2013 14:46:33
Usei calcário líquido dolomítico mais adubação fosfatada orgânica em 900 ha em minhas propriedades no município de Porto Velho, Rondônia, no período de outubro de 2012 a janeiro de 2013, em pastagens de brachiárias. Posso afirmar que o resultado físico (capim) foi fantástico, porém as análises químicas não acompanham, em partes, esse resultado. Explico: O Ph saiu de 3,9 para 5,5 em média e o Al saiu de mais de 30 para praticamente 0. No entanto P, K, Ca, Mg e V% permaneceram inalterados ou com mínimas alterações. As quantidades foram de 10 l/ha e 300 kg/ha, respectivamente. As amostras de solo e análises foram feitas pela Embrapa-RO. Portanto, como zootecnista e proprietário rural , concluo que devemos esperar mais estudos e pesquisas sobre esse produto. Márcio
 
Márcio Silva Maluf em 24/07/2013 18:16:43
Ao meu ver o calcário líquido nem poderia ser registrado como corretivo do solo. O MAPA exige, para registrar um corretivo da acidez do solo, no mínimo 38% na soma de CaO e MgO, e o calcário líquido não tem isso. Ademais, exige, também, que o produto, por não ter antecedentes no País, apresente laudos técnicos que o aponte como tecnicamente viável ou um documento de um órgão oficial que ateste a sua eficiência. Ora, um tradicional órgão de pesquisa (IAC) não recomenda o uso do calcário líquido como corretivo do solo, conforme nota publicada há meses, em seu site.
Se o encararmos como fertilizante fluido, fornecedor de Ca e Mg para as plantas, teria que apresentar, no mínimo, 10% de Ca e 8% de Mg, mas o fabricante aponta garantia de 6% de Mg.

 
Gastão Braga em 24/07/2013 10:58:02
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