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Cigarros eletrônicos, tabagismo e câncer bucal

Por Matheus Moreira Pirolo e Aline Gil de Menezes (*) | 29/11/2025 16:35

O mês de novembro se iniciou com a Semana Nacional de Prevenção do Câncer Bucal no calendário do Ministério da Saúde. A data foi instituída pela Lei Federal nº 13.230, de 28 de dezembro de 2015. Entre os objetivos desta lei, tem-se a difusão dos avanços técnico-científicos sobre o câncer de boca, o estímulo às ações preventivas e às campanhas educativas.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer – INCA, em média mais de 6.000 pessoas morrem todos os anos no Brasil em razão do câncer bucal, sendo que todos os anos são contabilizados cerca de 15.000 novos diagnósticos da doença em todo o país. Ainda de acordo com o INCA, o tabagismo é o principal fator de risco para o adoecimento por câncer na cavidade oral, já que mais de 90% dos casos são de fumantes ou ex-fumantes.

Na esteira do tabagismo, atualmente muitos usuários de pods e vapes desconhecem os efeitos nocivos à saúde geral e bucal desses dispositivos eletrônicos. Os aerossóis expelidos, quando não se alojam no pulmão, se dispersam pelo ar, cujos metabólitos podem ficar impregnados em superfícies de portas, janelas, pisos, madeiras e metais. A exposição contínua a esses resíduos pode causar danos ao DNA humano e de pets, aumentando o risco a saúde humana e animal.

Estudos apontam que o efeito imediato do consumo de cigarros eletrônicos é a mudança na resposta imunológica, causando 3 vezes mais inflamações. Os produtos químicos presentes na fumaça do tabaco são associados a maiores riscos de doenças cardiovasculares, neoplasias, pneumonia, asma, diabetes mellitus, artrite reumatóide, imunossupressão, risco de desenvolver fissuras orofaciais em bebês, cáries, gengivite, periodontite, perdas dentárias e câncer de boca.

Nesse contexto, destaca-se a atuação da Vigilância Sanitária na regulamentação e fiscalização da produção e da comercialização de produtos derivados do tabaco.

No último ano, o Sistema Estadual de Vigilância Sanitária, composto pela Vigilância Sanitária da SES (Secretaria de Estado de Saúde) e pelas Vigilâncias Sanitárias municipais, tem realizado uma série de ações destinadas à retirada de circulação de produtos irregulares e à conscientização de jovens em idade escolar, trabalhadores da saúde, e comunidade em geral, quanto aos malefícios à saúde dos produtos derivados do tabaco. Nessas ações, a ênfase recai sobre os cigarros eletrônicos, que são a febre do momento, portanto, motivo de muita preocupação.

Ademais, em janeiro de 2025, a Vigilância Sanitária da SES/MS apreendeu em Campo Grande, no centro de triagem dos Correios, cerca de 2.200 sachês de nicotina originários da Suécia, conhecidos como Snus. Foi a primeira apreensão desta substância que se tem notícia no país.

De uso oral, os sachês de Snus são capazes de entregar ao seu usuário o equivalente em nicotina a 20 cigarros comuns, em apenas 20 minutos de dissolução da substância na mucosa gengival. As autoridades suecas alertam que o consumo do Snus é altamente viciante e prejudicial à saúde, e que o seu uso contínuo está relacionado ao aparecimento de câncer na boca.

Cabe à Vigilância Sanitária proteger a saúde das pessoas mediante ações preventivas que combinem fiscalização constante e atividades educativas à população. E lembre-se: a boca é um órgão precioso, pois constitui a porta de entrada daquilo que pode fortalecer ou destruir a vida.

(*) Matheus Moreira Pirolo, é Fiscal do Estado de Vigilância Sanitária da SES/MS, especialista em saúde pública, e associado à ABRASCO. Aline Gil de Menezes, odontóloga e professora universitária na Uniderp, é mestre em periodontia pela Universidade de São Paulo.

 

Os artigos publicados com assinatura não traduzem necessariamente a opinião do portal. A publicação tem como propósito estimular o debate e provocar a reflexão sobre os problemas brasileiros.