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Campo Grande, Sábado, 19 de Outubro de 2019

17/09/2019 09:25

Comando unificado ou desglobalização?

Por Benedicto Ismael Camargo Dutra*

Seja na atividade empresarial ou na vida pessoal, o momento exige prudência com os gastos. Mais do que nunca a situação atual requer que as pessoas estejam cada vez mais preparadas para enfrentar os desafios e se ajustar às novas tecnologias e tudo mais. Nesse ambiente, pensar com clareza é o básico. Sem leitura, como esperar que as novas gerações tenham clareza no pensar, raciocínio lúcido e intuição se não forem orientadas para isso?

A ignorância começou há muito tempo, com o abandono dos livros. Os bons professores promovem bons resultados para o indivíduo, para o país e para o planeta. Eles são indispensáveis desde a educação na primeira infância, já que os pais não raro também necessitam completar sua educação para a vida. No passado, os professores ensinavam com dedicação e sem viés ideológico. Hoje, se fala muito em inteligência emocional que se reveste na inteligência dos seres humanos com visão ampla do significado da vida, pois através dela os indivíduos possuem automotivação para um viver de progresso construtivo e beneficiador. Professores bem preparados, valorizados, são garantia de melhor futuro.

Desde que o homem passou a criar dinheiro do nada, criou-se também um dos maiores enigmas da humanidade: a dificuldade de entender como o dinheiro surge, como ele se relaciona com o governo e com as outras moedas e entre as pessoas. Vários fatores encobrem a simplicidade do equilíbrio das contas. A imprevidência financeira, o gasto exagerado e o endividamento atraem a funesta ingovernabilidade e miséria.

O crescimento do comércio global não trouxe benefícios ao conjunto da população. No Brasil, ocorreu declínio no bem-estar social e ampla destruição nas indústrias de médio porte que perderam espaço, aniquilando empresários e empregos. No ocidente, ocorreram perdas visíveis nos empregos e renda da classe média, gerando ambiente depressivo. O camponês da França que produz vários itens de consumo interno também se sente ameaçado. Terá de se tornar motorista do Uber ou entregador de pizza como tantos profissionais sem emprego?

A triste história econômica do Brasil a partir dos anos 1990 aponta que poderíamos ser o celeiro do mundo e ao mesmo tempo ter uma indústria forte, bons pesquisadores, mão de obra técnica de qualidade e serviços em nível satisfatório. Duas tacadas fatais para as indústrias - abertura comercial e dólar barato. Será que os adeptos dessa teoria previram as consequências? Sem produção, e só com serviços, não surge riqueza nem oportunidades. Endividado, com políticos interesseiros e provocadores de agitação que não buscam a melhora geral, fica difícil encontrar a saída, enquanto as novas gerações vão se perdendo na estagnação.

Com a substituição do ouro pelo dólar, o novo mercantilismo se preparou para entrar em forte concorrência com a indústria ocidental visando o acúmulo de dólares. Como as cadeias de produção e distribuição interligadas em diversas regiões poderiam dar certo com as instáveis variações cambiais? A substituição de homens por máquinas automáticas reduz o custo, mas as máquinas não consomem bens. E tudo reduz o rendimento do trabalho. A ânsia de ganho financeiro inundou o mundo de papéis que os BCs tiveram de absorver criando dinheiro do nada. Os governos estão engessados por dívidas. Haverá unificação global de comando ou reversão da globalização.

Estamos com três correntes de filosofia econômica: ordem econômica liberal globalista; economia nacionalista e protecionista de livre mercado; e capitalismo de Estado forte interferindo na atividade econômica. Não está fácil entender as decisões que estão sendo tomadas diante dos atuais eventos econômicos. Dinheiro sobrando. Compra de ativos e baixas taxas de juros. Governos fortemente endividados. Estagnação econômica crônica.

Queiramos ou não, a globalização acabou desequilibrando a economia, interferindo na produção, empregos e consumo, enquanto a globalização financeira ia cavando abismos gerando a crise descomunal. Nas tentativas de adaptação e sobrevivência acabou-se não percebendo para onde tudo estava indo. As decisões financeiras e monetárias são importantes para evitar o pior, mas serão suficientes para ativar as engrenagens da economia de forma equilibrada entre os povos?

(*) Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida.

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