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Campo Grande, Segunda-feira, 18 de Junho de 2018

13/01/2018 11:40

Da epifania

Por Heitor Rodrigues Freire (*)

Todos nós temos em nossas vidas momentos mágicos, de vitórias, de derrotas, de avanços, de atrasos, de evolução, de êxtase. São momentos em que nos realizamos, em que nos empolgamos. São momentos de epifania, de consagração. Epifania é o instante do esclarecimento, é o momento do descortinar do entendimento, quando tudo passa a fazer sentido e a vida ganha novo significado. Na filosofia, é um acontecimento único, iluminado e inspirador, quase que sobrenatural em que o conhecimento acontece.

Do ponto de vista filosófico, a epifania significa uma sensação profunda de realização, no sentido de compreender a essência das coisas. Ou seja, é a sensação de considerar algo como solucionado, esclarecido ou completo.
Etimologicamente, este termo originou-se a partir do grego epiphanéia, podendo ser
traduzido literalmente como “manifestação” ou “aparição”.

A epifania não acontece assim, do nada. Ela é o resultado de um conjunto de eventos presentes em nosso dia-a- dia que vão se somando aos poucos, até culminarem numa compreensão súbita, como uma iluminação aparentemente repentina, mas que na verdade levou tempo para ser construída em nossa mente.

Porém, há ainda um significado mais abrangente para o termo epifania, que no sentido religioso pode ser também de consagração, de exaltação ou até mesmo de um milagre.

Na vida de Jesus, três momentos são considerados como epifanias. O primeiro, quando os magos que vieram do Oriente se encontraram com o menino Jesus. O segundo, quando Jesus vai ao encontro de João Batista para ser batizado. E o terceiro, quando Jesus realiza seu primeiro milagre, em Canaã da Galileia, transformando a
água em vinho. No meu entendimento, os momentos são quatro; acrescento também o momento maior, o da crucificação.

Esses momentos servem para nos lembrar de que epifania é o que nos conduz à entrega e à doação, é o que nos conduz a uma descoberta de que somos pessoas amadas por Deus e é também o que nos conduz à transformação e à dignidade. É o que nos capacita a estarmos mais comprometidos com a realização íntima e com a realização do outro do que com instituições, sistemas e doutrinas.

Sou um livre-pensador com formação cristã, paraguaio de origem e brasileiro por circunstância histórica, passando por influências marcantes da Igreja Católica, do Espiritismo, da Umbanda, da Seicho-No- Ie, Reiki, da Congregação da Casa de Oração,

Ho’oponopono, Livro de Urântia e da Maçonaria, que são as fontes de onde, nesta encarnação, me alimentei de cada uma a seu tempo e todas moldaram meu caráter.

Desse caldeamento, filtrei alguns comportamentos, como por exemplo: buscar o entendimento de tudo que me interessa, e a partir daí, aceitar, confirmar e praticar o que aprendo, mantendo sempre um sentimento de amor, de alegria e de respeito por todas as pessoas, sem julgá-las.

Em minha vida, identifico alguns momentos de epifania: meu casamento, o nascimento de minhas filhas e dos meus netos, a minha iniciação na Maçonaria e minhas alternâncias nos negócios, quando fui algumas vezes do zênite ao nadir – das culminâncias ao abismo – e vice-versa. Foram momentos marcantes.

Esses momentos, naturalmente, acontecem na vida de todas as pessoas, de uma maneira ou de outra, mas poucas vezes são identificados como tal, como epifania, como marcantes.

Na medida em que nós nos investigamos, com o autoconhecimento, vamos encontrando e identificando esses acontecimentos. O que nos traz consciência de que nossas vidas são ricas e únicas. Proponho que cada um busque em seu interior e em sua vida esses momentos e os vivencie com reverência.

(*) Heitor Rodrigues Freire  é corretor de imóveis e advogado.

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