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Campo Grande, Terça-feira, 19 de Junho de 2018

03/05/2011 11:41

É possível crescer sem inflação

Por Paulo Skaf (*)

O Brasil tem plenas condições de continuar crescendo à media anual de 4% ano, como ocorreu entre 2003 e 2010. Esforços não devem ser poupados para garantir a manutenção dessa significativa conquista, que pode ser conciliada com o controle da inflação, cujo risco de recrudescimento preocupa a sociedade.

A FIESP e o CIESP unem-se a essa inquietação e defendem soluções mais efetivas, condenando a elevação da taxa básica de juros, que está longe de ser o melhor caminho para combater o aumento de preços.

Para entender melhor a questão, é necessário considerar, inicialmente, a majoração, nos últimos 12 meses, de 37,8% das commodities em geral e 43,2% das alimentares, apontada pelo ministro de Fazenda, Guido Mantega. Reforçando o diagnóstico, o Banco Central destacou, em relatório sobre o tema, que o fenômeno foi responsável por um terço da inflação de 2010.

Contudo, mesmo diante desse choque externo, nossos índices inflacionários apresentam quadro de deterioração menos acentuada quando comparados aos de vários países. O IPCA atingiu 6,3% em 12 meses, até março de 2011, contra 5,2% no mesmo período de 2010.

A inflação chinesa registrou alta de 5,4% em março de 2011, contra 2,4% no mesmo mês em 2010. Os casos da Argentina, Índia e Rússia também indicam um surto inflacionário global, ao apresentar índices, em março último, de 9,7%, 8,8% e 9,4%, respectivamente.

Vale lembrar que novos instrumentos, como as medidas macroprudenciais, juntaram-se ao arsenal da política antiinflacionária e já estão contribuindo para a desaceleração da atividade econômica. Assim, a elevação da taxa de juros, mais do que ineficaz, poderá aprofundar a queda do nível de atividade e gerar efeitos colaterais nocivos: intensificação do processo de apreciação cambial e o aumento das despesas do governo com juros, que já atingiram a cifra de R$ 195 bilhões em 2010 e deverão saltar para R$ 210 bilhões em 2011.

Sobre a valorização excessiva do real, seus inconvenientes já são notoriamente reconhecidos. Refiro-me ao aprofundamento do déficit da balança comercial de manufaturados, à perda da participação do valor adicionado da indústria de transformação no PIB e ao aumento da participação de importados no consumo doméstico.

A balança comercial de manufaturados deverá registrar déficit de aproximadamente US$ 100 bilhões em 2011, ante US$ 71,1 bilhões, em 2010. A participação do valor adicionado da indústria de transformação no PIB passou de 27,2%, em 1985, para 15,8%, em 2010. O coeficiente de importações saltou de 14,6%, em 2005, para 21,8%, em 2010.

Esse quadro não prejudica apenas a indústria, mas toda a sociedade, pois o setor é o mais dinâmico da economia, representando 60% dos investimentos. Portanto, é decisivo para a geração de empregos formais para os cerca de quatro milhões de jovens brasileiros que ingressam todo ano no mercado de trabalho.

Garantindo mais competitividade para a atividade industrial, com a redução dos juros e impostos, balizando melhor o câmbio e diminuindo os gastos públicos, o governo pode criar condições para o crescimento num ambiente de inflação controlada. É isso que os brasileiros desejam!

(*) Paulo Skaf é empresário e presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP/CIESP).

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