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Capital

Mau cheiro e morte de peixes levam MP a apurar poluição no Córrego Imbirussu

Imasul aplicou multa de R$ 50 mil por contaminação e a concessionária afirma ter corrigido o problema

Por Maurício Aguiar | 11/08/2026 16:52
Mau cheiro e morte de peixes levam MP a apurar poluição no Córrego Imbirussu
Água esverdeada no Córrego Imbirussu, onde houve rompimento da tubulação e vazamento de esgoto (Foto: Juliano Almeida)

O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) apura um vazamento de esgoto no Córrego Imbirussu, no trecho entre os bairros Vila Almeida e Jardim Zé Pereira, em Campo Grande. O problema motivou reclamações de mau cheiro e relatos de morte de peixes na região. Laudos do órgão ambiental apontam contaminação por coliformes e indicador de poluição até 460% acima do limite permitido.

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul apura um vazamento de esgoto no Córrego Imbirussu, em Campo Grande, após o rompimento de tubulação em janeiro de 2025. Laudos apontam contaminação por coliformes e índice de poluição 460% acima do limite. O Imasul multou a Águas Guariroba em R$ 50 mil, mas a concessionária recorreu, alegando força maior devido a chuvas e deslizamento de barranco.

A investigação tem origem em um incidente ocorrido em 20 de janeiro de 2025, na altura da Avenida José Barbosa Rodrigues, quando o rompimento de uma tubulação provocou o descarte direto de esgoto nas águas do córrego. Nesta segunda-feira (10), a apuração foi convertida em procedimento administrativo, na 26ª Promotoria de Justiça da Capital.

Durante vistoria, o Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) identificou mortandade de peixes a 400 metros do local do vazamento. Exames laboratoriais indicaram a presença de coliformes fecais, além de níveis de DBO (Demanda Bioquímica de Oxigênio), principal indicador de poluição orgânica em rios, 460% acima do permitido, e índice de fósforo 685% superior ao limite legal.

Com base nesses dados, o Imasul aplicou uma multa de R$ 50 mil à Águas Guariroba. O órgão estadual também exigiu a apresentação de relatórios de monitoramento e um plano de prevenção contra novos acidentes.

A concessionária recorreu da autuação. Entre os argumentos, defendeu que o Imasul não teria atribuição legal para aplicar a multa, alegando que a fiscalização caberia à Semades (Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável). A empresa sustentou ainda que a lei federal não se aplica ao caso por haver norma estadual específica, e que o rompimento ocorreu por força maior, provocado por chuvas intensas e erosão no local.

Em nota, a Águas Guariroba esclareceu que o episódio de janeiro de 2025 foi provocado pelo deslizamento de um barranco, que derrubou duas árvores sobre a rede de esgoto. A empresa classificou a ocorrência como "um evento excepcional e alheio ao controle da concessionária".

A concessionária informou que mobilizou equipes imediatamente após identificar o problema. "Foi realizada a remoção das árvores, desobstrução da área e recomposição da estrutura afetada. O serviço foi concluído no mesmo dia, aproximadamente quatro horas após o início dos trabalhos, com a normalização do sistema de esgotamento sanitário", destacou.

Sobre os impactos ambientais, a empresa afirmou que "análises laboratoriais demonstraram que não houve alteração dos parâmetros ambientais aplicáveis, permanecendo os resultados dentro dos padrões estabelecidos pela legislação vigente".

Por fim, a Águas Guariroba ressaltou que mantém atuação permanente na manutenção da infraestrutura de água e esgoto da Capital, com ações voltadas à preservação dos recursos hídricos e ao aprimoramento dos serviços de saneamento.

O procedimento no MPMS segue em andamento para a inclusão de novos laudos e manifestações dos órgãos envolvidos.

Acúmulo de lixo - Nesta terça-feira (11), o Campo Grande News esteve no local e registrou acúmulo de lixo, como sofás velho, carcaças de animais mortos e resto de poda, bem como água esverdeada no córrego. Moradores relataram que, em dias de grande volume de chuva, há o transbordamento do esgoto no local, o que intensifica o mau cheiro.

Próximo ao trecho, no cruzamento com a Rua Pinto d'Água, grandes entulhos foram parar dentro do córrego. A reportagem encontrou também almofadas de sofá e outros resíduos plásticos em meio à água. As margens aparentavam ter sido limpas recentemente. Mesmo assim, ainda havia sacos de cimento e mais entulhos próximos à vegetação.