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Líder do PCC deixa presídio em MS e vai para hospital após laudo psiquiátrico

Paulo César Júnior desenvolveu doença mental, agravada pelas condições da prisão, conforme perícia

Por Ana Paula Chuva | 11/08/2026 06:46
Líder do PCC deixa presídio em MS e vai para hospital após laudo psiquiátrico
Paulinho Neblina foi dignosticado com transtorno bipolar (Foto: Reprodução)

Após laudo pericial atestar quadro psiquiátrico grave, a Justiça Federal autorizou a transferência do detento Paulo César Souza Nascimento Júnior, 53 anos, o “Paulinho Neblina”, apontado como liderança da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). O criminoso, que acumula condenações superiores a 140 anos de prisão, deixará a Penitenciária Federal de Campo Grande e será internado em um Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico em Taubaté (SP).

RESUMO

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A Justiça Federal autorizou a transferência de Paulo César Souza Nascimento Júnior, o "Paulinho Neblina", 53 anos, apontado como líder do PCC, da Penitenciária Federal de Campo Grande para um Hospital de Custódia em Taubaté. Laudo pericial diagnosticou Transtorno Bipolar com episódio depressivo grave, sintomas psicóticos, automutilação e Síndrome de Capgras. O criminoso acumula condenações superiores a 140 anos.

A decisão da 5ª Vara Federal Criminal de Campo Grande atende à recomendação médica após a confirmação de que o isolamento prolongado e o regime de segurança máxima agravaram o estado de saúde mental do custodiado.

Conforme o documento, avaliação psicológica e psiquiátrica que fundamentou a autorização judicial foi realizada no âmbito de incidente de insanidade mental na Justiça Federal. O exame pericial, conduzido pelo médico psiquiatra Cristiano Felix dos Santos Silva Filho, diagnosticou Paulo César com Transtorno Bipolar em episódio depressivo grave acompanhado de sintomas psicóticos.

O documento atestou que o custodiado desenvolveu sintomas psicóticos agudos, como alucinações auditivas, delírios e a chamada Síndrome de Capgras — transtorno raro no qual o paciente acredita que pessoas próximas foram substituídas por impostores. Os relatórios médicos apontaram ainda episódios de automutilação e recusa de alimentação por paranoia de envenenamento.

Segundo o perito nomeado, o estado psicótico superveniente privou o apenado da capacidade de autodeterminação, tornando o ambiente estritamente prisional inadequado para a manutenção do seu tratamento básico. Paulo César também sofre com a doença de Crohn, condição gástrica sem cura que exige cuidado contínuo.

O laudo foi recebido pelo TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) em 11 de maio deste ano, em novembro de 2025 a transferência havia sido negada.

Com mais de três décadas de pena cumprida no sistema penitenciário, sendo cerca de sete anos no sistema penal federal, Paulo César acumula episódios de greve de fome e recusa de vestuário por crises de paranoia e pânico.

Durante a custódia na Capital, onde estava desde 2018, relatava frequentemente receio de envenenamento e desconfiança ostensiva contra agentes penitenciários e familiares. Paulinho acumula mais de 100 anos de condenações.

Denúncia Gaeco

Em maio de 2024, Paulinho foi denunciado pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) como um dos fundadores e líderes do PCC, com poder de decisão sobre assuntos da facção em Mato Grosso do Sul. Segundo o Ministério Público, ele ocupava a função de “Final do Resumo”, considerada a última instância de decisão dentro da estrutura criminosa.

Conforme a denúncia, cabia a Paulo Cezar centralizar, coordenar e comandar questões disciplinares, financeiras e de articulação do grupo. As ações e encaminhamentos adotados pelos integrantes da função “Resumo” eram reportados a ele, segundo o documento.

Mesmo preso à época das investigações, Paulo Cezar teria mantido comunicação com integrantes da organização por meio de telefone celular. O Gaeco afirma que ele usava uma linha móvel para conversar com comparsas e articular práticas criminosas, inclusive enquanto estava submetido ao RDD (Regime Disciplinar Diferenciado).

Armas e estrutura do PCC

Um dos pontos destacados na denúncia é a atuação de Paulo Cezar na administração do armamento da facção. Segundo o Ministério Público, ele solicitou a Elson Pereira dos Santos, conhecido como “Quase Nada”, e a outros integrantes do “Resumo” que levantassem informações sobre armas doadas ao PCC por faccionados ou colaboradores residentes na Bolívia.

O levantamento envolvia principalmente fuzis e metralhadoras. Em uma das conversas interceptadas, os investigadores identificaram uma discussão sobre armamentos que teriam sido enviados da Bolívia e sobre a situação do chamado “Paiol”, onde ficariam as armas da facção.

Em outro diálogo, Elson informou a Paulo Cezar que não havia conseguido contato com integrantes ou colaboradores do PCC na Bolívia. Na mesma sequência de interceptações, os investigadores registraram conversas sobre dificuldades financeiras e valores relacionados à droga dentro de unidade prisional.

Conflito com facções rivais

Segundo o Gaeco, integrantes do PCC procuravam Paulo Cezar para tratar de problemas com o Grupo G ou PGC (Primeiro Grupo Catarinense). Em uma das interceptações, ele aparece envolvido nas tratativas para resolver pendências relacionadas à facção rival e à situação em Santa Catarina.

O Ministério Público afirma ainda ter identificado preocupação de Paulo Cezar com uma possível aproximação entre o CV (Comando Vermelho) e o PCM (Primeiro Comando do Maranhão). Em conversa interceptada, Paulinho questiona sobre articulações envolvendo outras facções e acompanha a movimentação de integrantes do sistema prisional.

Outro episódio citado na denúncia envolve a Paraíba. Paulo Cezar teria cobrado um integrante identificado como “Prodígio” sobre a falta de comprometimento de membros do PCC naquele Estado diante da atuação de uma facção rival chamada “Al Caeda”.

Na mesma conversa, Paulinho pediu que fosse enviado um comunicado a “Nem” e “Beira”, apontados na denúncia como lideranças do Comando Vermelho e do ADA (Amigos dos Amigos), para tentar esclarecer problemas relacionados a uma possível aproximação de facções com o PGC de Santa Catarina.

Dinheiro e disciplina

A denúncia também apresenta Paulo Cezar como uma liderança envolvida em questões financeiras e disciplinares. O documento cita conversas sobre pagamentos, contribuições e pendências de integrantes com a organização, além de tratativas relacionadas ao funcionamento da estrutura interna do PCC.

Em uma das interceptações, por exemplo, integrantes discutem a situação de um preso que devia R$ 1 mil à organização e buscava uma forma de regularizar a situação para retornar às atividades da facção. A conversa termina com a informação de que as pendências seriam levadas a uma instância superior.

Para o Gaeco conjunto das interceptações demonstrou que Paulo Cezar não exercia apenas uma função simbólica dentro do PCC. A denúncia o coloca como integrante da cúpula responsável por receber informações, cobrar integrantes, discutir problemas com outras facções e participar de decisões relacionadas a armas, dinheiro e disciplina.

Ao final, Paulo Cezar foi denunciado pelos crimes de organização criminosa e associação para o tráfico.

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