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Campo Grande, Quinta-feira, 21 de Junho de 2018

01/02/2018 13:50

Esticando o couro

Por Francisco Habermann (*)

De repente, a coisa pega e vira uma folia só, dizem. É de inicio súbito e acontece sem menos esperar, qual violenta explosão, confessam quase em desespero. Mais ainda, se estende durante todo o ano.

Dá para o leitor perceber que o assunto não tem nada a ver com Carnaval. Mesmo nessa época quando a folia explode nas ruas e salões, algo acontece nos corações dos nossos professores. É coisa séria.

Ao término do período de férias, todos se preparam para a nova jornada nas escolas. A parte mais árdua fica com os professores. A jornada deles(as) começa antes do inicio do ano letivo. Aliás, bem antes.

A programação semestral, as metas didáticas e agora as novas orientações curriculares levam os diretores e professores a se reunirem bem antes do inicio das aulas. As tarefas sequenciais precisam estar em ordem para que a execução aconteça dentro do programa didático. Enquanto isso acontece no final das férias escolares os pais também se preparam para a nova rotina escolar dos filhos.

Há, sim, a alegria do retorno e isso é uma felicidade, tanto para os pais como para a escola. Sempre foi assim, desde os tempos em que professores(as) vinham de trem ou iam de charrete às escolas, como acontecia em Leme-SP na década de 1950. E o movimento deles(as) em torno das escolas era o prenúncio do inicio de nova jornada. Mas, interessante, nunca se ouvia falar em descontrole disciplinar que ameaçasse ou afetasse tanto a saúde e o ânimo dos professores e funcionários daquele tempo.

Hoje, o período que precede o inicio do ano letivo propicia ‘esticar o couro’ de todos que trabalham na área educacional, especialmente dos(as) mestres. É o preparo psicológico necessário para enfrentar a nova jornada que não dispensa os entraves disciplinares tão comuns na nova geração de crianças e jovens escolares, também vítimas. Estar preparado para ‘apanhar’ ( termo adaptado ) amedronta e daí o estresse que precede o inicio. Mas o carinho, a dedicação e a firmeza têm sido a resposta dos(as) professores(as), nas letras e equações do nosso samba da vida.

Cá entre nós, vale concordar, se a vida é vista na ótica moderna como um carnaval alegre, o que anda faltando mesmo é o bom samba da disciplina. Essa música pode nos salvar a todos.

Ôô... Alaô... Alaôôô... !

(*)Francisco Habermann é professor da Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu. Contato: fhaber@uol.com.br

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