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Campo Grande, Segunda-feira, 29 de Maio de 2017

15/10/2015 11:25

Invasão urbana

Eliézer José Marques

Exemplos de espécies animais vivendo completamente fora do seu habitat natural estão, infelizmente, se tornando cada vez mais comuns nas grandes metrópoles do país. Flagras de uma onça parda no quintal de uma casa em Marília, em São Paulo, e de uma família formada por 11 marrecos (9 deles eram filhotes) passeando por movimentadas avenidas de Cuiabá, no Mato Grosso, são alguns exemplos de casos de invasão dos bichos em áreas urbanas que se espalharam pela internet este ano. Na capital paulista, há muitos anos, capivaras habitam as margens dos rios nas Marginais Pinheiros e Tietê.

A principal causa dessa invasão de bichos silvestres em centros urbanos é a diminuição das florestas naturais. Em busca de alimentos, muitos acabam indo para além de seu habitat natural, chegam às áreas urbanas e se perdem, sem conseguir voltar. Outro problema frequente são as queimadas, que afugentam muitos animais das matas. Por instinto de sobrevivência, fogem para onde podem.

Mas há diversos casos também de intervenção direta do homem para essa invasão. Muitos bichos são tirados do seu habitat natural de maneira totalmente irresponsável. Seja para criação doméstica ou até mesmo para fins comerciais. No entanto, dependendo da espécie, não é raro perder seu controle de reprodução e, consequentemente, de ocupação. Depois de um tempo, muitos acabam sendo despejados em lugares completamente inadequados para sua segurança e sobrevivência.

Aliás, a presença desses bichos nos centros urbanos acaba gerando também medo entre a população local. Contudo, o animal normalmente ataca o homem quando se sente ameaçado por ele. Para isso, recomenda-se evitar o contato e manter uma certa distância. Ao perceber a presença de uma espécie silvestre, acione o corpo de bombeiros da cidade para fazer o resgate. Assim, garante-se tanto a integridade do bicho quanto a das pessoas.

Em São Paulo, a Secretaria Municipal do Verde e de Meio Ambiente tem uma divisão para atender exclusivamente às diversas espécies de animais silvestres que vivem na cidade. Muitos dos animais encaminhados a essa divisão precisam de atendimento veterinário por terem sido vítimas de acidentes como atropelamento, choques elétricos, corte por linha de pipa, entre outros. Macacos, gambás, garças, corujas, lagartos e serpentes estão entre as espécies mais comuns.

* Eliézer José Marques é presidente do CRBio-01 – Conselho Regional de Biologia – 1ª Região (SP, MT, MS)

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