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Livre é o dia em que você decide parar de jogar!

Por Por Márcia Jorge (*) | 05/08/2018 14:32

Os anos 90 realmente foram mágicos em produção literária, quem grudava na cadeira lendo os deliciosos romances do Sidney Sheldon sabe do que estou falando.

E foram nesses tempos, de internet ainda engatinhando que pesquisando livros ao vivo na livraria (que era um super programa de final de semana) encontrei uma obra com o título mais ou menos assim: "As 13 regras para um relacionamento perfeito", não me lembro se era "relacionamento" ou "casamento", mas estava solteira, pretendendo engatar um romance em breve, comprei.

Best-seller mundial, escrito por duas autoras cheias de opiniões e histórias de sucesso, era basicamente o manual da mulher impossível: regras e mais regras para você abafar tudo o que sente perante a um novo pretendente, matar a naturalidade e agir como uma estrategista de guerra.

Em dias atuais, um robô com inteligência artificial agiria maravilhosamente bem para ser esta mulher perfeita, mas a humana falha. E pior, culpa a sua falha por não ter seguido a regra.

E foi nesse misto de pequenos sucessos e fracassos segui a vida com esse conhecimento impregnado no corpo tentando transformar relacionamentos em experimentos.

Obviamente que não podia dar certo.

"Finja desinteresse" era palavra de ordem, "esteja sempre indisponível", "nunca, jamais em hipótese alguma mande mensagem", "ignore qualquer vontade ou sentimento". Tudo para se tornar "alguém valiosa e difícil de ser conquistada"…E o aspirante, por sua vez, cansado de se esforçar, cair (morto) aos seus pés.

Quantas paredes foram mordidas, canetas comidas, amigas torturadas, desejos reprimidos por histórias que nem viriam a ser nada!

E essas danadas regras persistem, procure por vídeos de coaches de relacionamentos no YouTube, muitos falam sobre isso, "seja impossível, poderosa, magnânima"…E quer saber?

Vida de verdade é outra coisa!

Estava eu por esses dias seguindo regras (já sem pensar, porque estavam muito bem incorporadas) tentando segurar vontades e instintos, no sexto dia consecutivo de uma dor de estômago lancinante.

Sem saber o que fazer, encontrei-me no auge do sofrimento com meu terapeuta e disse a ele que iria aguentar firme e esperar às dez da noite para mandar um "oi" ao escolhido depois de estrategicamente sumir por uns dias.

Ele me perguntava apenas qual a razão do ritual, dei um milhão de explicações até me sentir uma perfeita idiota.

Sim! Se eu queria falar, era pra falar, oras, não importando se era horário comercial, reuniões acontecendo e o Corinthians ainda não estava em campo! Simples!

Depois de muitas desconstruções e discussões, pela primeira vez na vida, mais de 20 anos depois daquele livro segui a minha regra: EU queria naquele momento e me obedeci!

O botão do "send" apertado com ares de algo proibitivo em plena duas da tarde de uma quarta-feira foi o remédio mais poderoso que já pode existir para as dores de angústia e de estômago.

Não era sobre receber resposta, era sobre recuperar o respeito aos meus desejos.

Me senti dona de mim, e o resto foi história…

Não existe hora para ser de verdade.

Saia do jogo.

A única regra que existe é ser feliz!

(*) Marcia Jorge atua como Consultora de Moda, Palestrante e Stylist e sua maior realização é ver as milhares de pessoas que já atendeu de bem com a própria imagem.

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