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Mato Grosso ou Mato Grosso do Sul?

Por Por José Florêncio de Melo Irmão (*) | 03/03/2011 06:03

O presente artigo abordará de modo sucinto, à questão relacionada à mudança do nome do Estado de Mato Grosso do Sul, proposta por alguns e reprovada por outros, tanto na esfera política como no cotidiano do cidadão residentes no Mato Grosso do Sul.

A pergunta que se faz é, por que o Mato Grosso do Sul é conhecido além das divisas com São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Paraná, como “Mato Grosso”? O fato é amplamente questionável e pertinente quando se busca uma identidade própria para o nosso estado, posto que, é evidente o constrangimento pelo qual passamos em outros estados e sermos confundidos com os matogrossenses.

Passamos por esta situação, não rara, onde as pessoas de outros Estados da Federação nos chamam de “matogrossense” ou, simplesmente, de “Mato Grosso”, fato que nos provoca uma sensação de perca das nossas origens na condição de membros da população do MS, ficando a sensação de que só existe o Mato Grosso, e a sensação de que não temos uma identidade própria, um estado que nos identifique como seu habitante.

Para saber o motivo de tanta ligação do povo brasileiro com o Estado de Mato Grosso, buscamos conhecer um pouco da sua história e descobrimos que a origem do nome “MT”, deu-se numa época centenária, através dos irmãos Paes de Barros, que na condição de moradores dos Campos de Parecis, em 1719, ousaram enfrentar a grande floresta existente nas Cordilheiras dos Gerais, encontrando uma imensa mata virgem de arvoredos elevados e corpulentos, que dificultava as suas penetrações mato adentro, daí terem apelidado o local de “Mato Grosso”.

A instituição do nome Mato Grosso à região, foi assimilada paulatinamente, posto que, em 09/05/1748, o Governo Português criava a Capitania de Cuiabá, por Carta Régia, incorporando o nome de “Governo de Mato Grosso”.

A Rainha D. Mariana de Áustria, ao nomear Dom Aquino Rolin de Moura como Capitão General, por Carta Patente de 25/09/1748, expressou: “Hei por bem de o nomear como pela presente o nomeio no cargo de Governador e Capitão General da Capitania de Mato Grosso”; justificando que: “fui servida a criar uma Capitania Geral com o nome de Mato Grosso, por requerer maior vigilância por causa da sua vizinhança”, afirmando ainda, que: “Mato Grosso é chave e o propugnáculo do Sertão do Brasil”.

Em 1822, com a Independência do Brasil, passou a ser denominado de Província de Mato Grosso, e no advento da Proclamação da República, em 1899, estabilizou-se com a denominação de Estado de Mato Grosso.

Portanto, a história advinda há séculos, retrata o costume tradicional do povo brasileiro de mencionar a região como sendo o Mato Grosso, aliado ao fato de que o nome MS, na menção prática não se conseguiu desvincular as regiões sul e norte, esta predominante por ter mantido o seu nome de origem sem qualquer aspecto diferenciador, daí a grande discussão que mais do que política é emblemática, precisamos de uma identidade própria para ser-mos vistos como um estado autônomo desvinculado, há mais de três décadas, do velho MT.

Contagiar a população para essa realidade é tarefa necessária e desvinculada do conservadorismo existente em alguns, porém vinculado à eloqüência de outros, objetivando descobrir o caminho para o reconhecimento do nosso estado, seja ele, Estado do Pantanal, Estado de Campo Grande, Estado de Campos de Vacaria, enfim, não importa o nome de retificação, o que importa é o objetivo principal de tornar o nosso estado portador de uma identidade própria, desvinculada do MT.

Quiçá, essa mudança não seja necessária, caso os nossos co-irmãos aceitem o nome de “Mato Grosso do Norte”, criando uma nova história e nova identidade para os dois estados, onde seríamos reconhecidos nacionalmente como o verdadeiro MS e o norte como MN, afinal não se confunde Mato Grosso do Sul com Mato Grosso do Norte, assim como não se confunde o Rio Grande do Sul com o Rio Grande do Norte.

(*) José Florêncio de Melo Irmão é policial militar da reserva e advogado.

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