O ano em uma palavra, ponto de não retorno
O risco do aquecimento global é desencadear uma série de alterações autoalimentadas que afetarão toda a natureza. Cientistas vêm alertando há anos que quanto mais o mundo se aquece, maior é o risco de ultrapassar múltiplos pontos de não retorno climáticos e desencadear mudanças autoalimentadas em todo tipo de sistema, desde a Floresta Amazônica até as vitais correntes oceânicas e as calotas polares.
Esses alertas ganharam mais intensidade em 2025, ano que começou com a confirmação, por cientistas, de que 2024 foi o primeiro ano em que a temperatura média mundial ultrapassou o patamar de 1,5° C acima dos níveis pré-industriais.
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Posteriormente, pesquisadores concluíram que o mundo atingira o primeiro ponto de não retorno, na sequência de níveis recordes de branqueamento dos recifes de coral de águas quentes dos quais milhões de pessoas dependem. Ao mesmo tempo, cientistas anunciaram que o nível de aquecimento mundial capaz de deflagrar a savanização generalizada da floresta amazônica é mais baixo do que se acreditava antes.
Há também indicações de que outro sistema regulador do clima está enfraquecendo: a Circulação Meridional de Revolvimento do Atlântico, um dos principais sistemas de correntes oceânicas do mundo. Pesquisadores afirmam que seu colapso desestabilizaria os padrões climáticos e comprometeria a produção de alimentos.
Não está claro quando, precisamente, esses pontos de não retorno serão atingidos, mas teme-se que muitos estejam interligados, de modo que ultrapassar um deles aumente a probabilidade de atingir outro. Centenas de cientistas escreveram uma carta aberta este ano, em que fazem um apelo aos governos para que reduzam as emissões de gases de efeito estufa mais rápido, porque “se esperarmos, será tarde demais”.
Eles também querem que se dê mais atenção aos chamados pontos de não retorno positivos, ou seja, os limiares para a implementação de painéis solares, baterias e outras tecnologias verdes.
Encontrar maneiras de identificar e deflagrar transições desse tipo, junto com mudanças nas atitudes da sociedade em relação à ação climática, pode se mostrar a melhor chance de evitar os pontos em que os desequilíbrios se tornam um caminho sem volta. (Tradução de Lilian Carmona)
(*) Pilita Clark, editora associada e colunista de negócios do Financial Times, através do Valor Econômico
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