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Campo Grande, Quinta-feira, 22 de Junho de 2017

24/02/2016 16:51

O apagão de lideranças: o que fazer?

Por Isaac Roitman (*)

A palavra liderança tem origem no termo em inglês “leader”. Liderança é a arte de comandar pessoas, atraindo seguidores e influenciando de forma positiva mentalidades e comportamentos. Um líder é uma pessoa que dirige ou aglutina um grupo, podendo estar inserido no contexto político, em uma empresa, em uma determinada área de conhecimento ou em qualquer outra atividade humana.

César Souza, em seu livro “A Neoempresa”, destaca: “Por toda a parte percebemos a escassez de líderes, em qualidade e quantidade, não só no mundo político. A escassez de líderes corrói as empresas, as escolas, as famílias e as comunidades. Enquanto isso, proliferam em posição de liderança indivíduos cujos valores são, no mínimo, questionáveis.

Os jornais nos surpreendem com as peripécias de líderes oportunistas em vários países. No momento em que o mundo dá sinais de doença, ao deixar transparecer essa preocupante escassez de líderes, tamanha crise de valores e infelicidade generalizada no trabalho, nas escolas, em casa e nas comunidades, pouco adianta ficar tentando melhorar as bases sobre as quais as regras do jogo foram concebidas. Só reinventando e com inovações corajosas é que poderemos encontrar soluções para o que nos aflige.”

Na recente turbulência que abalou a estrutura financeira no mundo no final de 2008, causando uma grande onda de desemprego que afetou a vida de milhões de pessoas, foi revelado que não se tratava apenas de um problema de escassez de crédito, mas também de escassez de líderes responsáveis.

Em seu artigo “O problema do Brasil não é econômico. É a crise da falta de liderança”, publicado no Jornal do Brasil, Roberto Madruga aponta: “A causa principal dos problemas que estamos amargamente vivendo não é a crise econômica, tão pouco a crise política. Não é a inflação nem o desastre da nossa balança comercial. O Brasil empobreceu tanto no aspecto econômico quanto na qualidade das pessoas de que nos lideram”.

COMO CULTIVAR A LIDERANÇA

A liderança é um talento que precisa ser identificado e desenvolvido. Howard Gardner define talento “por um arranjo complexo de aptidões ou inteligências, habilidades instruídas e conhecimento, disposições de atitudes de motivações que predispõem um indivíduo a sucessos em uma ocupação, vocação, profissão, arte ou negócio”.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, cerca de 4% das crianças e jovens apresentam altas habilidades gerais ou específicas. Em muitos países, notadamente nos Estados Unidos, Canadá, Alemanha e Holanda, a abordagem para os estudantes com altas habilidades tem sido estudada. Nos Estados Unidos, por exemplo, há pelo menos, dez periódicos voltados exclusivamente para a publicação de artigos ligados a essas questões.

A educação formal no Brasil é feita com um tratamento homogêneo dos estudantes, sem reconhecer à diversidade entre eles. Especialistas no campo da educação de talentos apontam que a identificação precoce do talento é importante. De maneira geral as escolas não dispõem de recursos e não têm um corpo docente adequadamente preparado para prover os desafios acadêmicos, sociais e emocionais para proporcionar o desenvolvimento das lideranças.

Quatro dimensões são consideradas importantes para aferir o potencial de liderança: o autodesenvolvimento, a habilidade no relacionamento interpessoal, a visão sistêmica e senso crítico e responsabilidade. Essas características se manifestam e podem ser percebidas nos primeiros anos de vida e devem ser desenvolvidas no ambiente escolar. As lideranças irão desempenhar funções diversificadas na política e em outras instâncias da sociedade.

Atualmente o único espaço de exercício das lideranças são as agremiações estudantis. A educação baseada em discussão de temas e resolução de problemas pode ser considerada como um cenário adequado para o exercício do pensar e da crítica argumentativa. Uma correta visão de um mundo civilizado e o estímulo ao conhecimento geral seriam pré-requisitos para a formação de nossos futuros líderes.

Um ambiente de total liberdade de diálogo e de expressão de pensamentos é absolutamente fundamental para o estímulo na formação de lideranças. Romper com a falsa verdade de que alguém é o dono das verdades e diminuir a importância de seu próprio “eu” também deve fazer parte de um ambiente para a formação de novas lideranças que nos conduzam a um novo Brasil sem desigualdades sociais, em que todos possam realizar os seus sonhos.

(*) Isaac Roitman é doutor em Microbiologia, professor emérito da Universidade de Brasília, coordenador do Núcleo de Estudos do Futuro (n.Futuros/CEAM/UnB), presidente do Comitê Editorial da Revista Darcy/UnB e membro tiular de Academia Brasileira de Ciências. 

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