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Nada em nós é sentença

Por Cristiane Lang (*) | 06/01/2026 08:30

Há quem acredite que o ser humano é feito de pedra: imutável, rígido, condenado a repetir sempre as mesmas versões de si. Mas não somos rochas — somos rios. E rios não param. Correm, desviam, se renovam. Às vezes parecem calmos, às vezes violentos, mas nunca são os mesmos.

Nada em nós é sentença. Nada é definitivo. Somos um tecido em constante costura, sempre sendo refeito pelas mãos invisíveis do tempo. Aquilo que hoje parece inabalável — uma dor, uma crença, um hábito, um medo — pode se tornar leveza amanhã. A vida é sábia em nos lembrar disso: cada queda que parecia fim, cada despedida que parecia insuportável, cada fracasso que parecia eterno… tudo, sem exceção, se dissolve com o tempo ou se transforma em força.

Somos feitos de mudanças sutis e de revoluções silenciosas. Não apenas quando trocamos de cidade, profissão ou relacionamento, mas quando aprendemos a respirar fundo diante do que antes nos consumia; quando sorrimos onde antes havia silêncio; quando encontramos beleza onde antes só víamos cinza.

O passado pode ter marcado nossas páginas, mas ele não escreve o último capítulo. O que fomos não nos condena ao que seremos. Recomeçar é sempre possível, ainda que às vezes doa, ainda que exija coragem de deixar morrer versões antigas de nós mesmos.

Olhe para a natureza: o inverno nunca é eterno, a noite nunca é perpétua, a árvore que perde as folhas em breve floresce. Também nós passamos por estações. Já fomos mais frágeis, já fomos mais duros, já fomos diferentes. E seremos outros, outra vez.

A vida é escrita em rascunhos. Somos um livro em construção, nunca uma obra acabada. Cada encontro, cada decisão, cada dor e cada alegria reescreve algo em nós.

Por isso, lembre-se: nada em você é sentença. Se há peso, pode virar aprendizado. Se há medo, pode virar impulso. Se há dor, pode virar cicatriz — e cicatrizes também contam histórias de superação.

Você é movimento. Você é metamorfose. Você é prova viva de que sempre é possível nascer de novo, ainda dentro da mesma pele.

(*) Cristiane Lang, psicóloga clínica, especialista em Oncologia pelo Albert Eisntein, em São Paulo. 

 

Os artigos publicados com assinatura não traduzem necessariamente a opinião do portal. A publicação tem como propósito estimular o debate e provocar a reflexão sobre os problemas brasileiros.