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Campo Grande, Quarta-feira, 29 de Março de 2017

23/02/2012 15:40

O carnaval que passou

Por Antônio Cézar Lacerda Alves (*)

Carnaval, “carne vale” (adeus à carne), “carnis valles” (prazeres da carne). Festa que nasceu há mais de 500 anos antes de Cristo, na Grécia, e era usada para a realização de cultos em agradecimento aos deuses pela fertilidade do solo e pela produção.

Mais tarde, os gregos e romanos inseriram bebidas e práticas sexuais na festa, tornando-a intolerável aos olhos da igreja; mas, no século VI, foi absolvida e os cantos pecaminosos foram banidos.

Mudanças continuaram ocorrendo. Nos últimos tempos a festa reconquistou a antiga tradição adotada pelos gregos e romanos. Por preceder a quaresma, um período de penitências e privações, o período do carnaval é dedicado aos prazeres da carne... Em todos os sentidos!!!

O carnaval do Brasil é considerado uma das maiores maravilhas do mundo.

Nos anos 20 a 60 do século passado predominavam as marchinhas de carnaval, um gênero musical importado das marchas populares de Portugal, com ritmo mais acelerado.

Era a época da serpentina, do confete, da lança perfume...

As marchinhas foram substituídas pelo “samba enredo”. A alegria ingênua nos salões e nos blocos de rua foi substituída pelo luxo na avenida... E vieram, também, o “Axé Music”, o Sertanejo Universitário... Ah, se eu te pego!

... E também, a camisinha, o “ecstasy” (...).

Chico Buarque usou o carnaval em várias de suas canções. Numa delas, “Quando o carnaval chegar”, feita no período da ditadura militar, a festa do carnaval foi usada como figura de linguagem em substituição à festa do dia da mudança...

“Manhã de Carnaval”, de Luiz Bonfá e Antônio Maria, trilha sonora do filme “Orfeu Negro” (1959), foi gravada por centenas de intérpretes mundo afora.

Carnaval, para muitos poetas e músicos, sempre gerou expectativas e frustrações. “Retalhos de cetim”, de Benito di Paula e “Orgulho de um sambista”, de Gilson de Souza, são alguns desses exemplos.

O fim da festa também foi marcado por algumas músicas: “Marcha da quarta-feira de cinzas”, de Vinícius de Moraes e Carlos Lyra (... que também fala do período da ditadura); “Maria, carnaval e cinzas”, de Luiz Carlos Paraná, 5º Lugar no Festival da Record (1967) foi cantada (sob vaia) por Roberto Carlos...

Lembro-me, agora, aqui saudoso, que algumas marchinhas mais lentas faziam o salão sonhar: “Máscara Negra”, “Bandeira Branca”, “Está chegando a hora”...

Hoje, sinceramente, nada mais sei sobre o carnaval. Acho que ele já passou... Ou fui eu que passei!!!

(*) Antônio Cézar Lacerda Alves é advogado.

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