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O Ensino Fundamental depois da pandemia: o novo desafio dos municípios

Por Telson Pires (*) | 29/09/2020 13:15

O déficit educacional no Brasil teve início quando os colonizadores portugueses proibiram a construção de escolas. Também a libertação tardia dos negros atrasou o processo de aculturamento do brasileiro.

Nossas primeiras elites - os coronéis – mandavam seus filhos para Lisboa e Coimbra e os recebiam de volta formados e com o título de “doutor” na bagagem, enquanto na colônia das desigualdades uma massa de iletrados já vivia a realidade dos excluídos.

A falta de compromisso com a educação também esteve presente na monarquia, e da velha república até os dias de hoje, tornando mais fundo o abismo.

Índices nacionais e internacionais mostram que a educação no Brasil é enquadrada nos piores planos, assim como a desigualdade social, que remete o país aos patamares mais baixos da pobreza.

A herança do passado lança no presente, e para as gerações futuras, o desafio da mudança. Melhorar a experiência dos alunos do ensino fundamental – que é a base da educação e da formação dos brasileiros – para que possam desenvolver plenamente suas potencialidades será um grande desafio para os municípios no próximo ano, num cenário pós pandemia.

Não muito diferente do que aconteceu outrora, os pais com disponibilidade financeira proporcionam ensino de qualidade para os filhos, enquanto a grande massa segue dependente do poder público. As distorções entre os modelos público e privado de ensino ficaram ainda mais nítidas na pandemia mundial. Enquanto as escolas particulares rapidamente se adequaram ao ensino remoto, com a utilização de plataformas sofisticadas, aulas em tempo real e material didático de qualidade, tendo do outro lado alunos com fácil acesso à internet, os alunos das escolas públicas ficaram à mercê da sorte na maioria dos municípios brasileiros, com material de aula postado no facebook pelos professores, curtida na postagem valendo presença para o aluno, dentre outros absurdos que contribuem para o agravamento da evasão escolar.
Este é um ano perdido para o ensino público, que terá reflexos negativos no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB).

As circunstâncias fizeram quedar de vez o velho modelo pedagógico, e as escolas públicas precisam se adequar aos novos tempos, promovendo a inclusão digital dos alunos, adotando modelos híbridos de ensino, disponibilizando material didático e paradidático modernos e capacitando os professores para a nova realidade.

A pandemia colocou sob os holofotes a grave crise do ensino público no Brasil, que já vem pagando um preço caro demais pelo descaso com a educação. Que nas urnas, em novembro, os eleitores não desperdicem o seu voto, ou melhor, a nova oportunidade de eleger a educação como prioridade do país.


(*) Telson Pires é educador, cientista político e advogado.

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