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Campo Grande, Quarta-feira, 18 de Outubro de 2017

28/09/2014 09:00

O investimento consciente

Luiz Gonzaga Bertelli (*)

O Brasil aumentou os investimentos em educação a três décadas. Universalizou o ensino fundamental, diminuindo sensivelmente o número de crianças e jovens fora da escola, aumentou o acesso ao ensino superior, mas ainda não conseguiu melhoras significativas na qualidade de ensino. Apesar desses investimentos, o país gasta por aluno 1/3 do que os países desenvolvidos, segundo relatório divulgado semana passada pela Organização para a Cooperação Econômica e Desenvolvimento Econômico (OCDE). De acordo com o levantamento, o gasto público com o estudante brasileiro em 2011 foi de US$ 2.985, o que corresponde a R$ 6.789. Já nos países desenvolvidos, o montante chegou a três vezes mais em 2011: US$ 8.952, o que corresponde a R$ 20,3 mil. Em países como Estados Unidos, Áustria, Holanda e Bélgica, os valores são ainda superiores, atingindo mais de US$ 10 mil.

Embora a maioria dos candidatos, em época de eleição, goste de afirmar que educação é a prioridade em seus programas de governo, a prática mostra que não é bem assim que funciona. De acordo com o levantamento, todos os 34 países pesquisados mostraram aumento nos gastos em educação entre 1995 a 2011, menos no Brasil e em mais cinco nações.

A OCDE aponta ainda que a maioria dos investimentos brasileiros está concentrada no ensino superior.
Os dados são preocupantes em razão do que vemos e sentimos na realidade das nossas escolas. Falta de materiais didáticos, ausência de instalações adequadas, remuneração pífia de grande parte dos professores, grade curricular antiquada sem contemplar as novas necessidades dos estudantes, entre muitos outros fatores. Não adianta priorizar a educação apenas na época das eleições, pois é dela que depende a formação dos nossos jovens e, por consequência, o futuro da nação.

Por isso, o CIEE, com 50 anos de experiência na inserção de jovens no mercado de trabalho, vem batalhando incansavelmente com o propósito de capacitar os jovens, principalmente aqueles de áreas de vulnerabilidade social que, por causa da geografia e das condições sociais, têm mais dificuldades de alcançar boas colocações no mercado. Para uma educação de qualidade é preciso investimento de qualidade e consciência da importância da formação de nossos jovens para um país melhor e mais desenvolvido.

(*) Luiz Gonzaga Bertelli é presidente executivo do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), da Academia Paulista de História (APH) e diretor da Fiesp.

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