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Campo Grande, Quarta-feira, 18 de Outubro de 2017

21/08/2012 16:57

Por um país mais conectado

Luiz Gonzaga Bertelli*

Enquanto o Brasil disputa com a Inglaterra o posto de sexta maior economia mundial, ainda há um déficit grande no tocante à inclusão digital. Segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV), realizada em parceria com a Fundação Telefônica Vivo, o Brasil está na 72.ª posição no ranking mundial da inclusão digital, que mede o acesso a telefone celular, telefone fixo, computador e internet em casa. Apesar da colocação incômoda, com apenas 51,2% da população conectada, o país está um pouco acima da média mundial, que é de 49,1%. As nações com as melhores médias são: Suécia (95,8%), Islândia (95,5%), Singapura (95,5%) e Nova Zelândia (93.5%).

No entanto, existem ilhas de exceção no país. As capitais brasileiras com maior inclusão são Florianópolis (77%), Vitória (76,6%) e Curitiba (75,8). A cidade de São Paulo tem uma média de 71,7%. Já entre os municípios mais conectados, São Caetano do Sul lidera o país com 82,6%. Mas os índices de estados como Maranhão, Piauí, Pará e Roraima diminuem sensivelmente as estatísticas nacional. Em cidades como Fernando Falcão/MA, Chaves/PA e Uiramutã/RR, o índice não passa de 5% da população com conexão.

Na realidade, esses números mostram a existência de “dois brasis” e suas dificuldades históricas para promover uma melhor distribuição de renda e para contemplar as regiões carentes com índices de desenvolvimentos mais razoáveis. A pesquisa da FGV reflete o que o povo brasileiro está cansado de saber: que o Norte e o Nordeste necessitam de uma maior infraestrutura e de mais investimentos em educação de qualidade e tecnologia. Já está mais do que na hora de o poder público pensar na democratização do ensino, e criar pólos de pesquisa e tecnologia nas áreas mais distantes, como é feito nos Estados Unidos e outros países. Os índices de inclusão digital, na verdade, mostram a necessidade de melhorar as condições de vida da população por meio da tecnologia. Não basta apenas dar um computador e alfabetizar as pessoas para manuseá-lo, mas melhorar as condições sociais para que mais e mais possam ter acesso a esses equipamentos, melhorando a qualidade de vida, preparando-se para o mundo do trabalho e elevando o índice de desenvolvimento humano em áreas historicamente relegadas ao esquecimento.

(*)Luiz Gonzaga Bertelli é presidente Executivo do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), da Academia Paulista de História (APH) e diretor da Fiesp.

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