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Campo Grande, Sexta-feira, 22 de Setembro de 2017

15/10/2015 09:42

Professor sim; por que não?

Por Rosemeire Farias (*)

Este artigo nasceu de uma das várias reflexões que faço em sala com estudantes de graduação e de pós-graduação, principalmente do Curso de Pedagogia.

Frequentemente, tem me chamado a atenção o relato dos meus alunos, quando lhes pergunto se estão felizes por terem escolhido a carreira de docente. Vejo na maioria a paixão pela educação estampada em seus olhos. Fico empolgada e alimento mais ainda essa identificação, pois acredito no poder da educação, acredito que, ensinando às crianças, podemos ter adultos melhores. Se educarmos, ensinarmos agora, não será preciso punir no futuro.

Embora a empolgação seja evidente nas atitudes desses futuros educadores, também sinto que uma tristeza tenta apagar o brilho que eles trazem nos seus olhos.
Certa vez, debatendo sobre a necessidade da valorização aos professores, sobre a importância de lutar por mais respeito aos educadores e de não nos deixar vencer pelo desânimo, uma acadêmica, com tristeza, compartilhou: “- Professora, como encontrar forças para lutar contra o desrespeito e a desvalorização, se dentro da nossa família encontramos pessoa que não aceitam a nossa decisão por escolher Pedagogia?”.

Ela havia ouvido de uma tia as seguintes frases: “Que bom que está na universidade! Mas por que escolheu Pedagogia? Quer morrer de fome? Você deveria escolher Direito, Enfermagem, Medicina, Engenharia....”. Fiquei perplexa, sem palavras naquele momento, suspirei profundamente. E é claro que rebati o discurso.

Nada contra as outras profissões, todas têm o seu valor e são necessárias para o desenvolvimento da sociedade. Mas, o que seria dos outros profissionais se não tivessem passado pelos bancos escolares? Se não tivessem tido um professor que lhes apresentou as letras e o mundo mágico dos livros? Um profissional que contou histórias ou estórias, que cantou cantigas e brincou diversas vezes com os números e com as letras, rolando no chão se fosse preciso. Uma única resposta se tem para tais questionamentos: não seriam nada.

Se isso é fato, então por que não ser professor? Por que não escolher Pedagogia, Letras ou Matemática? Por que não é a profissão mais bem paga?! Isso também é fato. Não sei como as autoridades ainda não viram que, melhorando a educação do País, melhorar-se-á todo o resto, não precisa ser um gênio para chegar a essa conclusão. Mas, essa é uma questão para discutirmos em um artigo futuro.

Então, a lição que tiro disso tudo nesta semana em que comemoramos o Dia do Professor é que, se não incentivarmos os nossos jovens que querem escolher a educação, como campo de atuação profissional, a abraçar o seu sonho e a lutar para torná-lo realidade, a profissão ‘Professor’ estará com os seus dias contados, será o fim de uma das mais antigas e mais lindas profissões da humanidade. Que pena!

Só não sei como a sociedade vai se arranjar sem esses mestres, lutadores. Arrumará quem ocupe a posição de professor, talvez isso. Porém, não esqueçamos: estar professor é fácil, difícil é ser professor de corpo e alma. Ser professor é ensinar com amor.

(*) Rosemeire Farias é graduada em Letras, Pedagogia e Direito, Especialista em Metodologia do Ensino da Língua Portuguesa, Especialista em Educação, Especialista em Direito Público, Mestra em Linguística e Doutoranda em Educação. 

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