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Campo Grande, Domingo, 24 de Junho de 2018

26/03/2018 08:55

Protecionismo do século 21

Por Benedicto Ismael Camargo Dutra (*)

Nos acontecimentos gerais, podemos observar o lamentável desvio dos objetivos da sociedade. O interesse econômico privado vai se sobrepondo ao interesse público. Quando o poder público, que deve zelar pelos interesses do bem comum da vida, se associa ao poder econômico, passando ambos a definir conjuntamente o que deve ser prioritário, o resultado é a precarização geral, o declínio da qualidade de vida, quando o principal alvo deveria ser o aprimoramento da humanidade.

Com o avanço da precarização geral, é reduzido o número de pessoas que leem, buscando melhor discernimento. No século passado, as pessoas visitavam as livrarias. Quando viajavam de avião, costumavam passar pela recentemente falida livraria La Selva e adquirir livros para ler durante a viagem. No século atual, as pessoas mudaram a sua forma de pensar e as livrarias estão sendo fechadas. Quem gosta de ler vai se encaminhando para a Internet, enquanto a maioria mata o tempo com comédias chulas.

O protecionismo é um conjunto de medidas que visam favorecer as atividades econômicas internas, reduzindo e dificultando as importações e a concorrência estrangeira. Foi muito utilizado na Europa durante os séculos 17 e 18. Os reis absolutistas criavam barreiras alfandegárias, aumentando os impostos de importação. Desta forma, dificultavam a venda de produtos do exterior em seu território provocando o seu encarecimento; os produtos nacionais ficavam sempre mais baratos, atraindo os consumidores, o que gerava empregos e reduzia a saída de ouro para fora.

Após a crise de 1929, nova onda de protecionismo varreu a economia. Com o término da Segunda Guerra Mundial surgiram os novos mecanismos de comércio, mas faltaram alternativas de equilíbrio das contas, pois a moeda empregada era o dólar americano lastreado no ouro até 1971 quando o pacto de Breton Woods foi extinto.

Na segunda metade do século 20, o protecionismo começou a perder força. Com o processo de globalização da economia, o comércio internacional passou a ser liberado, tendendo para queda das barreiras alfandegárias. Na Ásia, 200 milhões de braços com custo menor foram incorporados à força de trabalho, gerando uma revolução nos preços. Os mais aptos para a produção industrial foram engolindo os mais fracos, gerando aumento de dívidas e desemprego.

No século 21, há muitos problemas econômicos e sociais para serem enfrentados. Os Estados Unidos têm a maior dívida e o maior déficit comercial. O Brasil também se encontra em situação dramática das contas, e pior ainda pelo atraso em infraestrutura, educação e saúde. Abusos e gestão inadequada conduziram a isso. A ciência do dinheiro não se preocupou com os desajustes, gerando desordem econômica e comercial com crises e desemprego.

Enfrentamos a nova realidade gerada pelo materialismo. Os aspectos econômicos e financeiros se impõem acima de tudo o mais. O mundo e o imaginário das pessoas estão mudando. O que no passado era feito com reservas, passou a ser feito ostensivamente. Com a recente decisão americana de impor taxas para a importação de aço e alumínio, evidencia-se o desequilíbrio das relações comerciais no mundo globalizado e não basta que os Estados Unidos voltem atrás. Experientes diplomatas e economistas estão preocupados com a ruptura do sistema de regras comerciais vigentes. No entanto, esperava-se mais da OMC. A boa convivência mundial requer uma reestruturação econômico-financeira que gere equilíbrio nas relações globais.

A produção deslocalizada reduz renda, consumo e arrecadação. As importações são pagas em dólar que são obtidos com exportações ou empréstimos. O financiamento dos déficits levou a dívidas enormes. Há semelhança com a situação dos anos 1930, mas agora novas variáveis ampliaram a complexidade. A Terra acolhe a todos, no presente e no futuro, daí a grande responsabilidade dos humanos de beneficiar, embelezar e preservar tudo para si e para os que virão após.

(*) Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. 

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