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14/10/2016 12:12

Ulysses, o guerreiro da liberdade e da democracia no Brasil

Por Ricardo Caldas e Flávio Britto (*)

"Doutor Ulysses" escolheu a carreira jurídica como profissão. Durante o seu curso de graduação, abraçou a política estudantil, vindo a ser eleito vice-presidente da União Nacional dos Estudantes. Depois de formado, "Doutor Ulysses" tornou-se um advogado combativo e resolveu ainda abraçar a carreira acadêmica, passando a lecionar disciplinas do ramo do Direito Público em faculdades no estado de São Paulo.

A vida política partidária de Ulysses Guimarães se inicia com seu ingresso no Partido Social Democrático (PSD), no qual em 1947, conquista o seu primeiro mandato eletivo como Deputado Estadual na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP).

Em 1951, ainda pelo Partido Social Democrático (PSD), conquista o seu primeiro mandato de deputado federal na Câmara dos Deputados. Por ser um homem à frente de seu tempo, um homem visionário, e atento às demandas populares, começa a aglutinar liderados e a se destacar ativamente no Parlamento, chegando já em 1956 a Presidente da Câmara dos Deputados. Durante o parlamentarismo (entre 1961 e 1962), o então deputado Ulysses Guimarães assumiu o comando do Ministério da Indústria e Comércio do Brasil no gabinete do Primeiro Ministro Tancredo Neves.

Com o Golpe Militar de 1964, o Deputado Ulysses Guimarães retorna à Câmara dos Deputados e retoma as suas atividades parlamentares e passa a combater o regime da caserna. Em 1966 ajuda a fundar o Movimento Democrático Brasileiro e começa uma luta em prol da democracia.

Em 1973, diante de uma eleição presidencial pela via indireta, o deputado Ulysses, juntamente com Barbosa Lima Sobrinho, jornalista, ex-governador do estado de Pernambuco, e ex-Presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), montaram a chapa simbólica dos anticandidatos presidenciais e percorreram o Brasil combatendo o Regime Militar.

Os anos se passaram e "Doutor Ulysses", acompanhado de figuras históricas como Tancredo Neves, Teotônio Vilela, Severo Gomes, Nélson Carneiro e outros membros do MDB, trabalharam incansavelmente pela redemocratização no Brasil e pelas eleições diretas. A Lei n. 6.683, de 28 de agosto de 1979 (Lei da Anistia), teve uma grande influência do "Doutor Ulysses", uma vez que, naquele momento, para uma pacificação nacional, exigia-se uma anistia a todos os que se envolveram na luta política.

"Doutor Ulysses", Dante de Oliveira e políticos de diversos partidos, artistas, intelectuais e brasileiros, em geral, participaram ativamente pela mobilização e comícios em favor das DIRETAS JÁ. Aproveitando o momento político, o jovem deputado Dante de Oliveira, discípulo do "Doutor Ulysses", no ano de 1983, apresentou a PEC n. 05/1983, popularmente conhecida como a Proposta de Emenda Constitucional DIRETAS JÁ! A referida PEC foi rejeitada por não atingir o número mínimo de votos na Câmara dos Deputados.

As eleições presidenciais foram realizadas na modalidade indireta e a chapa Tancredo Neves/José Sarney venceu o pleito no Congresso Nacional. O destino não permitiu que Tancredo Neves viesse a assumir, sendo que seu vice, José Sarney, após tomar posse, cumpriu com os sonhos do "Doutor Ulysses" e convocou uma Assembleia Nacional Constituinte.

O combativo advogado e professor "Doutor Ulysses", o grande advogado da causa da democracia e do restabelecimento das eleições diretas, foi eleito Presidente da Assembleia Nacional Constituinte e liderou os trabalhos que culminaram na CONSTITUIÇÃO CIDADÃ (Constituição Federal de 1988).

Em 1989, o sonho do "Doutor Ulysses" se consolida, sendo realizadas eleições presidenciais diretas, ou seja, o povo brasileiro poderia escolher os seus próprios governantes. Lamentavelmente, ele obtém apenas 3.204.932 (três milhões, duzentos e quatro mil, novecentos e trinta e dois) votos e chega em 7o (sétimo) lugar na colocação do pleito.

"Doutor Ulysses", nos pleitos de 1990 e 1994, é reeleito Deputado Federal pelo PMDB-SP, sendo que a sua trajetória contempla onze mandatos consecutivos de deputado federal. No dia 12 de outubro de 1992, em virtude de um acidente aéreo, "Doutor Ulysses", sua esposa Dona Mora, Severo Gomes, sua esposa Anna Maria, e o piloto Jorge Comeratto faleceram.

O corpo do "Doutor Ulysses", lamentavelmente, nunca foi encontrado. Na memória, pode-se guardar o político hábil que aglutinava liderados. O plenário da Câmara dos Deputados, em justa homenagem, recebeu o nome de Plenário Ulysses Guimarães.

Políticos – e por que não dizer estadistas – do porte de "Doutor Ulysses" fazem muita falta ao Brasil atualmente. Certamente, se ainda estivesse vivo, ficaria muito surpreso com os rumos tomados pela política brasileira. Mas o legado da Liberdade, da Democracia e do Estado do Direito no Brasil – bandeiras de luta do "Doutor Ulysses" e tantos outros líderes –, prevaleceu às ameaças de ideologias totalitárias.

(*) Ricardo Wahrendorf Caldas e Flávio Eduardo Wanderley Britto são professores do Instituto de Ciência Política da UnB (Universidade de Brasaília).

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