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Campo Grande, Segunda-feira, 19 de Fevereiro de 2018

27/12/2013 19:26

Uma Santa Casa

Por Heitor Freire (*)

A maior riqueza de Campo Grande, desde o início, é a qualidade de seus cidadãos: pessoas conscientes, com alto espírito de solidariedade, voltados para a causa pública, que não medem esforços para proporcionar à nossa população um desenvolvimento constante.

Uma dos principais exemplos do que afirmei acima, sem dúvida alguma é a Santa Casa de Campo Grande. Contando 96 anos desde sua criação, ela é, sem dúvida é uma Casa Santa. Santa pela sua história de dedicação e de altruísmo manifestada em toda a sua existência. Santa pela competência e espírito de seus dirigentes que não medem esforços para bem geri-la, enfrentando todas as dificuldades e transtornos interpostos em seus caminhos. Santa por cumprir a sua finalidade, naturalmente, simplesmente sem buscar o foco da notoriedade.

A Santa Casa de Campo Grande fundada por um grupo de cidadãos abnegados que se sensibilizaram com a questão da saúde da população. Logo que o povoado passou a município, não havia local nem espaço para atendimento médico. Foi criada em 1917 e o hospital inaugurado em 1928. O primeiro projeto – de autoria do eng. Camilo Boni – dispunha de 40 leitos, uma sala de cirurgia e as dependências necessárias.

A Santa Casa é uma instituição querida da nossa cidade. Ela foi construída passo a passo, tijolo a tijolo. Ainda ecoam no recôndito da alma dos associados antigos os rangidos da carroça do Zé Bonito – apelido de José Mustafá –, também associado, que comandando com muita alegria a sua junta de burros, com duas parelhas de muares, conduzia os tijolos e a areia que serviram para a construção desse portento que é o seu edifício. Ele transportou todo o cimento, areia, tijolos e ferro aplicados na construção. Durante quatro anos, sem cobrar nada.

Não podemos esquecer o desprendimento de Bernardo Franco Baís, que adquiriu e escriturou a área que abriga o hospital, em nome da sociedade beneficente, com mais de 60.000 m². Essa propriedade, ao longo dos tempos, foi cobiçada por muitos pela sua localização e valorização e, se não fosse a firme atitude do dr. Arthur D’Àvila Filho, teria sido totalmente desmantelada.

A entidade é propriedade da Associação Beneficente Santa Casa, entidade sem fins lucrativos. Durante toda a sua existência foi administrada por cidadãos dedicados, prestantes, sensibilizados pela questão social e sem nenhuma remuneração financeira.

Ao longo desse tempo, só fez crescer aumentando consideravelmente o atendimento à nossa população. Cresceu patrimonial, quantitativa e qualitativamente, sempre foi um projeto de amor a Campo Grande.

Após o período de intervenção que durou 8 anos, a nossa entidade renasceu das suas cinzas, qual Fênix rediviva, no dia 17 de maio deste ano. Com a assunção plena da administração do hospital, a diretoria liderada pelo arquiteto Wilson Levi Teslenco, reassumiu passando a administrá-lo a partir de então, tomando conhecimento da dura realidade a que foi relegado e começando a buscar soluções para os problemas.

A chama do ideal que sempre norteou as mentes e corações dos seus diretores brilhou e brilha, plena de luz e de amor. No dia 12 de dezembro último foi eleita a nova diretoria que continua com Teslenco como presidente. O desafio é enorme, mas a vontade e a competência são maiores.

No dia 20, semana passada, na governadoria, foi assinado um contrato de empréstimo entre a nossa Associação e a Caixa Econômica sob as bênçãos do governador para, com esses recursos, começarem a ser pagos imensos compromissos financeiros. O governador está dando um grande apoio. Esperamos que a magia do Natal, inspire e sensibilize o prefeito de Campo Grande a assumir sua parte e também contribuir, como o governador está fazendo, para o pagamento desse empréstimo. Terminada esta etapa, começa outra, a da liberação dos recursos. Matamos um leão e apareceu um elefante. Mas vamos em frente.

A Santa Casa é um hospital de média e alta complexidade. Hoje é a quarta Santa Casa do país. É, possivelmente, uma das maiores empresa do nosso estado, com 2.519 funcionários que recebem constantemente treinamento intensivo, divididos em todas as áreas que compõem o seu complexo: administrativo, de apoio, enfermagem, médicos e demais profissionais de saúde. São funcionários que fazem seu trabalho sob o manto do anonimato, recebendo como seu maior pagamento a satisfação do dever bem cumprido.

Fica muito claro o propósito de bem atender a população, quando se analisa o projeto da construção da Santa Casa: o aspecto humano ao se projetar as enfermarias com apenas três leitos, cada conjunto com o seu banheiro próprio, individual, proporcionando a todos um atendimento digno.

Recentemente, no mês passado, ocorreu a posse de um número significativo de cidadãos de Campo Grande como novos associados, que vem somar com os atuais, incorporando-se assim a este verdadeiro exército da salvação da nossa entidade.

Hoje com a retomada da administração pelos seus verdadeiros donos e responsáveis a Santa Casa continua a cumprir o seu destino divino: oferecer atendimento digno à nossa população.

*Heitor Freire é membro do Conselho de Administração da Santa Casa.

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