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Universidade como peça-chave para a capacitação ao combate à mudança climática

Por Rafael Amaral Shayani (*) | 06/12/2021 08:20

A Conferência da ONU sobre o Clima – COP 26 – realizada em Novembro de 2021 apresenta, ao mesmo tempo, resultados preocupantes e uma grande oportunidade educacional. O Pacto Climático de Glasgow reconhece a importância da sociedade civil, principalmente dos jovens, estarem envolvidos na resposta à crise climática, além do uso da melhor ciência disponível para definir ações e políticas climáticas efetivas. É alarmado que as atividades humanas já provocaram um aumento de 1,1 ºC na temperatura da Terra e faz um chamado urgente para aumentar a ambição e as ações relacionadas à mitigação, adaptação e financiamento climático ainda dentro da presente década. O Pacto também enfatiza a necessidade de identificar lacunas na capacitação das pessoas para lidar com a crise climática.

Ora, onde podemos encontrar jovens que estejam estudando ciências e possam ser capacitados? Claramente as universidades possuem a chave para promover a mudança climática que a humanidade necessita. Mas para isto é necessário que os professores modernizem seus métodos de ensino para adaptá-los às urgentes necessidades sociais e ambientais.

A sociedade vem perdendo a batalha contra a mudança climática. As mudanças ocorrem de forma lenta e pontual. Novas formas de pensar, com foco no ser humano e não no consumismo que move a economia, devem ser propostas. E quem melhor do que os alunos universitários para trazerem novas ideias?

Como, então, tratar esta lacuna de capacitação? A oportunidade educacional que se descortina está relacionada com a motivação interior que todo estudante tem dentro de si: o sonho de, ao fazer faculdade, aprender as ferramentas necessárias para mudar o mundo para melhor! Muitas vezes os estudantes se desmotivam com os cursos ao não conseguir vislumbrar como aplicar, na prática, os conceitos teóricos aprendidos em sala de aula. O que é preciso agora, dentro da urgência climática internacional, é que os professores apresentem o problema climático aos alunos e os instigue a apresentar soluções novas e criativas. Por exemplo:

- Estudantes de Economia podem avaliar os custos das externalidades da geração de energia por combustíveis fósseis;

- Estudantes de Publicidade e Propaganda podem propor abordagens visando inspirar a população a adotar, de forma mais rápida, novas tecnologias de energia limpa.

- Estudantes de Sociologia podem analisar como as pessoas relacionam o uso de energia limpa com a proteção ao meio ambiente, por exemplo, como as pessoas se sentiriam ao entender que utilizar um painel de energia solar em seu telhado tem benefícios equivalentes à plantar uma árvore?

- Estudantes de Psicologia podem pesquisar o efeito que a adoção de energia limpa residencial, por meio de painéis de energia solar, pode, de alguma forma, auxiliar no tratamento de depressão, se o usuário perceber que está tendo um papel ativo importante no combate à crise climática mundial?

- Escritores podem criar histórias e romances sobre ficção social, da mesma forma que existe ficção científica, com personagens, heróis, etc, para auxiliar a disseminar aspectos importantes do combate à mudança climática.

As inspiradoras palavras de Bahá’u’lláh (1817-1892) “cuidai zelosamente das necessidades da era em que viveis e concentrai vossas deliberações em suas exigências e seus requisitos” são uma guia para que os professores, de todos os cursos, possam instigar os alunos a utilizar o conhecimento universitário para resolver os grandes desafios que atualmente assombram a humanidade. A mudança climática é um desafio que requer todas as habilidades e, quando os estudantes aplicarem a teoria para achar soluções para um problema real de grandes dimensões, com certeza ficarão motivados a dedicarem-se aos estudos com mais interesse e afinco, pois estarão empoderados a melhorar o mundo!

(*) Rafael Amaral Shayani é professor do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade de Brasília.

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