ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no Twitter Campo Grande News no Instagram
ABRIL, SEXTA  12    CAMPO GRANDE 24º

Cidades

Alvo da PF, general de MS presta depoimento sobre suposto golpe

Oficial, ex-presidente da República e outros investigados prestarão depoimento em sedes da Polícia Federal

Por Dayene Paz | 22/02/2024 07:19
Laércio Virgílio conversou com a reportagem na manhã desta sexta-feira. (Foto: Paulo Francis)
Laércio Virgílio conversou com a reportagem na manhã desta sexta-feira. (Foto: Paulo Francis)

Alvo da operação "Tempus Veritatis", da Polícia Federal, o coronel reformado Laércio Virgílio, 69 anos, com posto de general-de-brigada, deve depor nesta quinta-feira (22), na sede do órgão, em Campo Grande. O ex-presidente do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, e outros investigados também devem prestar depoimento hoje. A ação é contra grupo acusado de disseminar mentiras, afirmando a ocorrência de fraude nas Eleições Presidenciais de 2022.

Segundo a Polícia Federal, se trata de uma "tentativa de golpe de Estado e abolição do Estado Democrático de Direito, para obter vantagem de natureza política com a manutenção do então presidente da República no poder". As apurações apontam que o grupo se dividiu em núcleos para disseminar as mentiras, antes mesmo da realização do pleito, para viabilizar e legitimar uma intervenção militar, em dinâmica de milícia digital.

Virgílio integrava o núcleo de oficiais de alta patente com influência e apoio a outros núcleos. Junto com ele estavam o ex-ministro Chefe da Casa Civil, Walter Souza Braga Netto, Almir Garnier Santos, Mario Fernandes, Estevam Theofilo Gaspar de Oliveira e Paulo Nogueira de Oliveira.

O grupo teria se utilizado do cargo que ocupa nas Forças Armadas para influenciar e incitar o apoio aos demais núcleos para a consumação do golpe de Estado. Além de Vírgilio, outros oficiais que têm ligação com Mato Grosso do Sul são citados na investigação da Polícia Federal, sendo: o tenente-coronel do Exército, Sérgio Ricardo Cavaliére de Medeiros, e o coronel do Exército Brasileiro, Bernardo Romão Corrêa Neto.

Em entrevista ao Campo Grande News, o general afirmou que não tem nada a temer, porque não participou de qualquer tentativa de golpe. Ele conta que "serviu o quartel" por sete anos com Bolsonaro e que o ex-presidente também é inocente. "Ele jamais pensou em dar o golpe, nem ele e nenhuma das pessoas envolvidas que eu conheço, muito menos ferir a Constituição, que é nossa lei maior. Nunca se pensou em virar a mesa e nunca passou na cabeça do Bolsonaro aplicar força", disse o oficial.

No dia da operação, a polícia apreendeu o celular de Vírgilio.

Núcleos - O primeiro eixo do grupo consistiu na construção e propagação da versão de fraude nas Eleições de 2022, por meio da disseminação de mentiras sobre vulnerabilidades do sistema eletrônico de votação, discurso reiterado pelos investigados desde 2019 e que persistiu mesmo após os resultados do segundo turno do pleito em 2022.

O segundo eixo de atuação consistiu na prática de atos para subsidiar a abolição do Estado Democrático de Direito, através de um golpe de Estado, com apoio de militares com conhecimentos e táticas de forças especiais no ambiente politicamente sensível.

Tempus Veritatis - O nome da operação vem do latim: "a hora da verdade". Justamente faz referência às mentiras disseminadas pelos investigados sobre fraude no sistema eleitoral. Foi deflagrada pela Polícia Federal no dia 2 de fevereiro, quando cumpriram prisões, mandados de busca e apreensão, e medidas cautelares.

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.

Nos siga no Google Notícias