Chef de cozinha e programador presos disputaram contrato para divulgar notícias
Operação Collusion, deflagrada nesta quarta-feira, mirou contratações da Câmara de Terenos com o jornal

Presos pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado) nesta quarta-feira (21), um chef de cozinha e um programador de computador são “donos” de empresas que entraram na disputa com jornal por contrato com a Câmara de Terenos. A contratação rendeu a Francisco Elivaldo de Sousa, o dono do “Jornal Impacto” e principal alvo da Operação Collusion, R$ 44.800,00.
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Um chef de cozinha e um programador foram presos pelo Gaeco nesta quarta-feira (21) após serem envolvidos em uma disputa por contratos com a Câmara de Terenos. As empresas dos dois disputaram um contrato de R$ 44,8 mil com o "Jornal Impacto", cujo dono, Francisco Elivaldo de Sousa, também foi preso. A operação investiga fraudes em licitações e contratos públicos desde 2021, com valores que ultrapassam R$ 234 mil. A investigação, chamada Operação Collusion, apura crimes contra a administração pública, incluindo fraudes em materiais e serviços gráficos. Além das prisões, foram cumpridos 30 mandados de busca e apreensão. A defesa de Sousa ainda não se manifestou, enquanto o grupo Dakila negou envolvimento nas investigações, apesar de terem parcerias com o empresário.
Este é um dos contratos que Eli Sousa, como é conhecido, tem com o Legislativo de Terenos. De 2021 para cá, período investigado pelo Gaeco, a reportagem localizou no Portal da Transparência um total de R$ 234.960,00 em valores empenhados pela Câmara para a Impacto Empresa de Jornalismo Ltda.
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Na disputa de 2022, que resultou na contratação de R$ 44,8 mil, outras duas empresas participaram. Um dos CNPJs (Cadastros Nacionais de Pessoa Física) está em nome de Leandro de Souza Ramos, homem de 46 anos, que mora no Bairro Jockey Club, em Campo Grande, e é programador de computador, conforme anotado no comunicado de prisão expedido após cumprimento de mandado nesta manhã.
A concorrência contou ainda com a participação da FCVN Comunicações Ltda., empresa cujo nome fantasia foi registrado na Receita Federal como “Política MS News” e está em nome de Antônio Henrique Ocampos Ribeiro, outro preso na operação. Ele é chef de cozinha de 26 anos, morador do Bairro Bom Retiro, na Capital, também conforme anotação feita no comunicado de cumprimento de ordem de prisão.

A investigação - Na Operação Collusion, o Gaeco investiga organização criminosa voltada à prática de crimes contra a administração pública, em especial fraudes às licitações e contratos públicos, bem como crimes correlatos ligados a materiais e serviços gráficos firmados com o município de Terenos e com a Câmara Municipal de Terenos desde 2021.
Francisco Elivaldo de Sousa foi preso preventivamente (por tempo indeterminado) nesta manhã depois que o Gaeco esteve em ao menos dois endereços ligados ao homem que se identifica nas redes sociais como o responsável pelo Jornal Impacto, revista que leva o mesmo nome, além das rádios Diamante FM 98,7, que funciona em Corguinho e Rochedo, e Segredo FM 106,3, com endereço na Capital.
Agentes do Gaeco vasculharam um sobrado onde o empresário mora e outro local, a metros de distância do primeiro, na Rua Chafica Fatuche Abussafi, região do Carandá Bosque, apontado como sede do Jornal Impacto. O segundo prédio passa por ampliação e tem na fachada a placa: "Futuras instalações da Dakila Comunicações", marca do grupo de pesquisa de Urandir Fernandes, conhecido por criar a comunidade Zigurats, em Corguinho, e a moeda digital BDN.
Nesta quarta-feira, equipes do Gaeco foram às ruas de Campo Grande, Terenos e Rio Negro para cumprir 6 ordens de prisão e 30 de busca e apreensão.
Outro lado – Após a confirmação da prisão, a defesa de Eli Sousa preferiu não conversar com a reportagem, mas mais cedo o advogado Renan Augusto Vieira, que se apresentou como representante do Jornal Impacto, foi até a sede do veículo e disse que ainda não havia tido acesso aos mandados e somente depois disso poderia se manifestar. “Nós nos colocamos à disposição”.
O grupo Dakila divulgou nota negando qualquer envolvimento nas investigações que culminaram na prisão de Francisco Elivado de Souza, embora Urandir Fernandes e Eli Sousa figurem como sócios em pelo menos dois empreendimentos. O espaço segue aberto para manifestações das defesas dos outros citados.
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