Com filhos no colo, mulheres eram usadas para levar crack e cocaína
Quadrilha era comandada por preso de MS, que foi alvo de operação policial nesta quarta-feira
Mulheres com crianças ao lado, bagagens comuns e passagens de ônibus compradas como qualquer outro passageiro. Era assim que a droga saía de Mato Grosso do Sul rumo ao Paraná, numa estratégia pensada para despistar a fiscalização. A engrenagem, segundo a PCPR (Polícia Civil do Paraná), fazia parte de uma organização criminosa estruturada, comandada inclusive de dentro de presídio sul-mato-grossense.
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Uma operação policial simultânea no Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul resultou na prisão de 28 pessoas envolvidas em uma organização criminosa de tráfico de drogas. O grupo, comandado de dentro de um presídio sul-mato-grossense, utilizava mulheres com crianças como "mulas" para transportar entorpecentes em ônibus de linha. A investigação, iniciada em agosto de 2025, revelou uma estrutura hierarquizada dedicada ao tráfico de crack e cocaína. Foram cumpridos 23 mandados de prisão preventiva e 34 de busca e apreensão, além do bloqueio de ativos financeiros. Mais da metade da organização era composta por mulheres, que ocupavam funções estratégicas na logística e gestão financeira.
A ofensiva contra o grupo ocorreu nesta quarta-feira (25), em operação simultânea no Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. Ao todo, 28 pessoas foram presas. A ação teve como foco desarticular a organização, interromper o fluxo financeiro e reunir novas provas.
Foram cumpridos 23 mandados de prisão preventiva e 34 de busca e apreensão domiciliar, além de bloqueio e sequestro de ativos financeiros. Helicóptero e cães de faro da PCPR reforçaram a operação para garantir o cumprimento simultâneo das ordens judiciais.
Durante as diligências, os policiais localizaram dois foragidos com mandados de prisão em aberto. Outras três pessoas foram presas em flagrante por tráfico de drogas, e um adolescente foi apreendido por ato infracional análogo ao tráfico de entorpecentes.
No Paraná, os mandados foram cumpridos em Pato Branco, Clevelândia, Mariópolis, Cascavel e Quedas do Iguaçu. A operação também alcançou Concórdia (SC) e Campo Grande (MS), com apoio das polícias civis locais.
Investigação - As apurações policiais começaram em agosto de 2025, após uma prisão em Realeza, no Sudoeste do Paraná. Na ocasião, uma mulher moradora de Pato Branco foi flagrada em um ônibus de linha transportando mais de dois quilos de crack presos ao próprio corpo.
“Com as diligências realizadas na sequência, identificou-se uma estrutura hierarquizada voltada à aquisição, transporte, armazenamento, distribuição e comercialização de entorpecentes, especialmente crack e cocaína, bem como à movimentação e ocultação de ativos financeiros provenientes da atividade ilícita”, explicou a delegada da polícia do Paraná, Franciela Alberton.
Segundo as investigações, a droga saía de Mato Grosso do Sul e seguia para o Paraná por meio de mulheres que viajavam em ônibus de linha - muitas vezes acompanhadas dos filhos - para reduzir suspeitas durante eventuais fiscalizações.
A polícia apurou que o grupo possuía divisão clara de funções. A liderança era exercida por um homem custodiado no sistema prisional sul-mato-grossense, Derlei dos Santos, 42 anos. Mesmo preso, ele determinava rotas de transporte, coordenava a distribuição dos entorpecentes e gerenciava o fluxo financeiro por meio da utilização de contas bancárias de terceiros, com o objetivo de ocultar a origem ilícita dos valores e dificultar a atuação das autoridades.
Além dele, mais da metade da organização era composta por mulheres. Elas ocupavam funções estratégicas na logística, no transporte, na distribuição e também na gestão financeira do esquema.
A delegada Franciela Alberton afirmou que o número de mulheres presas superou o de homens. Além do transporte, elas atuavam na contabilidade, armazenamento em casas comuns, para não atrair atenção da polícia e no fornecimento de contas bancárias para lavagem do dinheiro.
Com as prisões desta quarta-feira, as investigações continuam para a completa responsabilização criminal dos envolvidos e para identificar outros possíveis integrantes da organização criminosa.
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