COP15 vai revisar espécies ameaçadas e propor novas ações internacionais
Conferência global revisa status de conservação de animais que cruzam fronteiras

Durante coletiva de imprensa após o chamado Segmento de Alto Nível, que reuniu autoridades convidadas da COP15/CMS (15ª Reunião da Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres), em Campo Grande (MS), o presidente designado da conferência e secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, detalhou os principais eixos de trabalho do evento. Ele conversou com os jornalistas ao lado da ministra Marina Silva.
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Segundo Capobianco, a conferência terá três frentes centrais: a revisão das listas de espécies migratórias ameaçadas de extinção, a avaliação de medidas adotadas em encontros anteriores e a proposição de novas ações de cooperação internacional.
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Um dos pontos-chave, explicou, é a atualização dos anexos da convenção, que classificam as espécies conforme o grau de ameaça ou necessidade de proteção. “Ao ajustar essas listas, estamos definindo prioridades de atuação”, afirmou. O anexo 1 reúne espécies ameaçadas de extinção, enquanto o anexo 2 inclui aquelas que demandam atenção e ações coordenadas entre países.
Capobianco destacou ainda a importância das chamadas “ações concertadas”, que envolvem esforços conjuntos de diferentes nações para proteger espécies que atravessam fronteiras. “Não adianta um ou dois países fazerem sua parte se outros não fizerem. A rota migratória precisa estar protegida como um todo”, disse.
Como exemplos de sucesso, ele citou a recuperação da baleia-jubarte e da tartaruga-verde, espécies que apresentaram avanços graças a acordos internacionais. No caso da baleia-jubarte, o Brasil tem papel estratégico por ser área de reprodução desses animais.
Entre as novas propostas, o Brasil pretende liderar uma ação coordenada para proteger a toninha, considerada a menor espécie de golfinho do Atlântico Sul e presente em águas do Brasil, Argentina e Uruguai. A iniciativa reforça a necessidade de integração entre os países para garantir a sobrevivência da espécie.
Ao todo, a COP15 deve analisar cerca de 100 documentos, incluindo propostas de inclusão de novas espécies nas listas, revisão de medidas anteriores e criação de novos planos de ação. A conferência também discute questões orçamentárias e mecanismos de implementação das decisões.
Para a ministra Marina Silva, a conferência tem caráter altamente técnico, baseado em evidências científicas robustas, mas exige também articulação política internacional. “Proteger uma espécie migratória exige um alto grau de civilidade, porque ela não pertence a um único país, mas a todos”, afirmou.

A ministra ressaltou ainda a complexidade do tema, que envolve desde a proteção de grandes áreas naturais até o planejamento de atividades humanas, como a instalação de empreendimentos energéticos. Segundo ela, iniciativas como o planejamento espacial marinho são fundamentais para equilibrar desenvolvimento e conservação.
O encontro deste domingo aconteceu no Centro de Convenções Arquiteto Rubens Gil de Camillo, no Parque dos Poderes. A abertura oficial está marcada para esta segunda-feira (23).
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