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Jogo Aberto

Clima (literalmente) pesou na COP15

Por Ângela Kempfer, Anahi Zurutuza e Fernanda Palheta | 23/03/2026 06:00

Calorão - Se a COP15/CMS (15ª Reunião da Conferência das Partes sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres), em Campo Grande (MS), começou discutindo clima, resolveu dar um exemplo prático. Calor, abafado e ar parado no Centro de Convenções foram protagonistas da abertura. Não ajudou. A ministra Marina Silva passou mal e precisou de atendimento do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) ainda no local. Oficialmente, pressão um pouco elevada e enjoo. Nos bastidores, o comentário era um só: ambiente pesado demais para quem já chega com agenda puxada.

Abraço e reunião reservada - Depois do susto, Marina recebeu atenção direta de Lula. O presidente a abraçou no saguão e ficou cerca de 13 minutos em uma conversa reservada antes do início dos discursos. Não foi uma cena protocolar. Foi gesto político e pessoal. Marina é peça-chave no evento e Lula tratou de deixar isso claro ali, na frente de todo mundo.

Do Sul - Erro clássico, repetido e ainda sem explicação plausível. Marina chamou Mato Grosso do Sul de Mato Grosso pelo menos duas vezes durante o discurso. Corrigiu depois de ser avisada pelo governador Eduardo Riedel (PP) e pediu desculpas. "Mais uma vez vou ter de me redimir por não ter falado Mato Grosso do Sul, me perdoem". Riedel respondeu simpaticamente: "Tá perdoada", arrancando risos dele e da primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja.

Gafe que sempre irrita - Mas o estrago já estava feito. Para quem é de fora pode parecer detalhe. Para quem é daqui, não é. E segue sendo um tropeço recorrente de autoridades nacionais.

Clima (literalmente) pesou na COP15
Mônica Riedel no canto esquerdo, Janja ao lado do presidente, e Eloy Terena com o cocar no pescoço (Foto: MMA/Divulgação)

Dress code com recado político - Não foi só discurso que comunicou. A primeira-dama de MS, Mônica Riedel, apostou no linho branco. Não é só estética. É um tecido associado à sustentabilidade, fibra natural, biodegradável, baixo impacto. Coerente com o tema do evento. Já Janja foi por outro caminho: tênis vermelho chamativo. Leitura óbvia nos bastidores, identidade política explícita, sem tentar disfarçar.

Cocar e identidade em evidência - Quem também chamou atenção foi Eloy Terena. O cocar grande não passou despercebido. Mais que símbolo, foi afirmação de presença em um evento global que, em tese, discute biodiversidade, mas nem sempre dá o mesmo espaço aos povos que vivem nela.

Janja ambiental - A primeira-dama Janja foi citada no discurso de Marina como defensora da pauta ambiental. Não é menção gratuita. É construção de imagem. Janja vem sendo posicionada como voz ativa nesse debate, e a lembrança pública reforça esse papel dentro e fora do governo.

Poliglota – O governador Eduardo Riedel (PP) revelou-se poliglota durante Segmento de Alto Nível da COP15. Ele não precisou dos fones com tradução durante os discursos de Amy secretária-executiva da CMS na ONU (Organização das Nações Unidas), do ministro das Relações Exteriores da Bolívia, Fernando Aramayo Carrasco, e do presidente paraguaio, Santiago Peña.

Elogio – A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, demonstrou animação ao saber que o governador de Mato Grosso do Sul tem formação na sua área, embora também esteja “do lado oposto” aos ambientalistas, como pecuarista. “Ser um biólogo governador faz a diferença”, afirmou.

Presença e ausência – Além da presença da primeira-dama Janja em Campo Grande, uma ausência foi notada durante a reunião para autoridades convidadas da COP15, a do marido da prefeita Adriane Lopes (PP), o deputado estadual Lidio Lopes (sem partido). Depois da eleição de Adriane, a primeira mulher da história a ser escolhida prefeita da Capital pelo voto direto, o parlamentar passou a ser chamado nos bastidores de “primeiro-damo” ou “Janjo”.