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Cidades

Empresário diz que vendeu aeronave e não tem ligação com apreensão no Pará

Apesar de constar oficialmente como proprietário da aeronave, defesa alega que venda foi realizada em março

Por Nyelder Rodrigues | 23/11/2020 17:31

A defesa do técnico de agronomia Lorenzo Espinola Junior, 32 anos, morador de Aral Moreira - cidade da fronteira com o Paraguai localizada a 364 km de Campo Grande - alega que ele não possui nenhum envolvimento com a apreensão de 452 kg de maconha em um um avião na cidade de Ipixuna do Pará, interior daquele estado.

O pouso da aeronave com a droga foi descoberto pela PF (Polícia Federal), que foi até a pista interceptar o carregamento. Contudo, o piloto da aeronave percebeu a presença dos policiais e tentou escapar, jogando o avião contra eles. Mas não conseguiu e foi preso.

Identificado como Axiel Augusto Bottega, de 29 anos, ele é natural de Bento Gonçalves (RS) e, segundo a Gaúcha ZH, que conversou com um amigo dele, estava morando há cinco anos em Manaus (AM), onde trabalhava como piloto.

No registro da Anac (Agência Nacional de Avião Comercial), a aeronave Beech Aircraft PT-OQB está registrada no nome de Lorenzo. Porém, a reportagem entrou em contato com ele, que afirmou já a ter vendido e ter perdido o contato do comprador.

Carga de maconha apreendida junto ao avião no Pará (Foto: Ascom/PF)
Carga de maconha apreendida junto ao avião no Pará (Foto: Ascom/PF)

Mais tarde, o advogado dele, Arilthon José Sartori Andrade Lima, entrou em contato com a reportagem e afirmou que seu cliente ainda constava como proprietário da aeronave por uma questão burocrática e de quitação do pagamento.

"Ele nem é desse ramo da aviação. Recebeu essa avião como um crédito que tinham com sua família e logo ele venceu. Tem contrato com firma reconhecida em 24 de março e comunicação formal à Anac com o comprador", explica Arilthon, que completa.

"O Lorenzo recebeu de 60% a 70% do valor da aeronave, mas ficou o resto para trás ainda, então ele não enviou o termo de quitação para a Anac, que é documento que finaliza a compra. Só houve o envio do contrato de promessa de compra e venda para que ele inclusive possa cobrar esse saldo devedor", conclui o advogado.

Ainda conforme Arilthon, o comprador foi a pessoa que consta como operador do avião e que assinou termo de responsabilidade. A reportagem checou os dados referente ao operador, sendo ele Marcio Roberto Sales de Araújo, a quem também é atribuído empresa do ramo alimentício em Manaus, onde mora o piloto preso.

O Campo Grande News tentou contato com a empresa e com o empresário em pelo menos três números de telefone que constam relacionados em sites de cadastros de empresas - como páginas amarelas e outros - mas não obteve êxito em nenhuma das tentativas.

A PF não informou qual a relação entre piloto, operador e proprietário. O advogado de Lorenzo afirma que, provavelmente nesta terça-feira (23), vai levar seu cliente à sede da Polícia Federal em Ponta Porã para esclarecimentos. "Não vou aguardar nem a intimação chegar. Vamos esclarecer isso já", frisa.

Polícia Federal tirando carregamento do avião (Foto: Ascom/PF)
Polícia Federal tirando carregamento do avião (Foto: Ascom/PF)

Prisão em 2014 - Já sobre a prisão por tráfico de drogas ocorrida em 13 de dezembro de 2014 em Ibituba (SC), onde Lorenzo foi flagrado com 264 kg de maconha em um Chevrolet Agile na rodovia SC-434, Arilthon afirma que apesar da condenação em primeira instância, o caso ainda transita no judiciário catarinense.

"É um processo de seis anos atrás e ele está respondendo em liberdade. Está subindo para o TJSC (Tribunal de Justiça de Santa Catarina) e pode ir até para outras instância superiores. Efetivamente, hoje ele ainda seria réu primário", comenta o advogado ao justifica que o caso ainda não transitou em julgado e, assim, segue em análise.

No primeiro contato feito entre a reportagem e Lorenzo, ele também foi questionado sobre esse caso de 2014, a qual rendeu pena de quatro anos e 11 meses no semiaberto, não cumprida ainda pois está em recurso. Contudo, sua reação foi desligar o telefone e, nos posteriores contatos, não atender mais as ligações.

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