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Cidades

Dono de garagem de luxo fica preso e suposto laranja de clã ganha liberdade

A operação Status foi coordenada pela PF de MS e mirou fortuna do Clã Morinigo

Por Aline dos Santos | 30/09/2020 10:06
Veículos apreendidos em garagem no Mato Grosso durante a operação Status, realizada em 11 de setembro. (Foto: Divulgação/Receita Federal)
Veículos apreendidos em garagem no Mato Grosso durante a operação Status, realizada em 11 de setembro. (Foto: Divulgação/Receita Federal)

A Justiça Federal de Campo Grande manteve a prisão do empresário Tairone Conde Costa, proprietário da Classe A Veículos, revenda de carros de luxo em Cuiabá (Mato Grosso) que foi alvo da operação Status em 11 de setembro. Em outra frente, Joselito Pinheiro de Abreu, apontado como laranja e preso depois da operação por suspeita de fuga, obteve liberdade.

De acordo com a PF (Polícia Federal),  o empresário atuava em parceira com o Clã Morinigo, formado pela tríade Emidio, Jefferson e Kleber Morinigo, para lavagem do dinheiro oriundo do tráfico de cocaína, a droga que se destaca no mercado dos narcóticos pelo alto valor de revenda.

Segundo a investigação, Tairone supostamente atuava em parceria com os Morinigo,  utilizando sua empresa de revenda de veículos como instrumento de lavagem de dinheiro para a organização criminosa. Ele também é apontado como parceiro do clã em propriedades rurais e na pousada Paraíso do Manso Resort, localizada no Mato Grosso.

No pedido de liberdade provisória encaminhado à 5ª Vara da Justiça Federal de Campo Grande, a defesa alegou que o empresário tem bons antecedentes, residência fixa e trabalho lícito, além de pertencer ao grupo de risco para a covid-19. Mas o juiz Dalton Igor Kita Conrado indeferiu o pedido de revogação preventiva.

Carros de luxo na concessionária Classe A, do empresário Tairone Conde Costa. (Foto: Reprodução)
Carros de luxo na concessionária Classe A, do empresário Tairone Conde Costa. (Foto: Reprodução)

Laranja e suspeita de fuga – Em outra decisão judicial da operação Status, o magistrado revogou a prisão preventiva de Joselito Pinheiro de Abreu. Ele foi preso depois da operação por risco concreto de fuga.

Segundo informações da Polícia Federal, na madrugada de 17 de setembro,  seis pessoas armadas invadiram as Fazendas Tereré e Aliança e, mediante violência, levaram 82 cabeças de gado. Na mesma data,  Joselito havia alugado um veículo e seu telefone celular teria permanecido desligado durante o provável horário da invasão.

No dia seguinte, foi verificado, por meio do celular de sua esposa, que ele estava em deslocamento e a PF citou o Paraguai como destino provável. Apontados como líderes, o Clã Morinigo foi preso em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia na fronteira com Ponta Porã.

Ao revogar a prisão, o juiz destacou que ele foi preso em São Paulo, sem qualquer indício de que iria para o Paraguai ou região de fronteira.  A Polícia Federal em Barra do Garças (MT) informou à PF de MS, que coordena a operação Status, que não estaria confirmado o furto dos animais.

De acordo com a decisão, restaram frágeis e insuficientes os argumentos para a manutenção da prisão. Sobre ser laranja em esquema de lavagem do dinheiro, o magistrado afirmou que a suspeita já era de conhecimento das autoridades durante a investigação, mas sem pedido de prisão preventiva.

O advogado Fabiano Dalloca de Paula informou que Joselito estava preso em Piracicaba (SP).  A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Tairone Conde Costa.

Lamborghini em revenda de veículos da Classe A Motors. (Foto: Reprodução)
Lamborghini em revenda de veículos da Classe A Motors. (Foto: Reprodução)

Esquema -Segundo as investigações, o grupo criminoso tinha núcleo de comando com funções bem definidas. O organograma descrito pela PF tem 12 pessoas.

O topo é ocupado por Emídio Morinigo e os filhos Jefferson Garcia Morinigo e Kleber Garcia Morinigo, que moraram em Campo Grande, mas se mudaram para o Paraguai no início do ano, após uma carga de drogas ser apreendida.

No nível abaixo, a Polícia Federal colocou nove pessoas que davam suporte à quadrilha, com uso de doleiros, principalmente na ocultação de bens e lavagem de dinheiro.

Relatórios da unidade de inteligência fiscal da Receita Federal detectaram  inconsistências fiscais dos investigados, além de bens móveis e imóveis registrados em nome dos investigados e de laranjas, pessoas que emprestam nome para ocultar valores de origem ilícita.  A operação Status sequestrou R$ 230 milhões.

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