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Cidades

Em 2017, avô acusou assassino confesso de Carla de furtar móveis

Marcos André Vilalba Carvalho, de 21 anos, que cofessou ter matado a vizinha, não tem ficha policial extensa e nunca foi preso

Por Anahi Zurutuza | 15/07/2020 16:26
Quintalzinho da casa onde Marcos André matou Carla Magalhães, ao lado da residência onde ela morava com a família, no Tiradentes, em Campo Grande (Foto: Henrique Kawaminami)
Quintalzinho da casa onde Marcos André matou Carla Magalhães, ao lado da residência onde ela morava com a família, no Tiradentes, em Campo Grande (Foto: Henrique Kawaminami)

O servente de pedreiro Marcos André Vilalba Carvalho, de 21 anos, que confessou ser o assassino da vizinha Carla Santana Magalhães, de 25 anos, nunca havia sido preso. O único boletim de ocorrência que cita o nome do rapaz é de 2017, registrado pelo avô dele, que o acusou de furtar todos os móveis e utensílios de uma casa deixada sob os cuidados do neto.

Natural de Bela Vista, cidade a 324 km de Campo Grande, Marcos André morava em Campo Grande há pouco tempo. Segundo vizinhos, ele se mudou para a casa ao lado à da vítima em setembro do ano passado.

Ainda em Bela Vista, segundo o avô, à época com 73 anos, Marcos André, então com 18 anos, levou os móveis e objetos deixados pela avó falecida em uma residência e quando cobrado, se recusou a devolver. O idoso relatou à polícia ter medo do neto porque o jovem tinha uma arma.

No sistema on-line de consulta processual do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) nada consta no nome do servente, o que indica que ele nunca foi processado por algum crime.

Recluso – Segundo vizinhos e a polícia, Marcos André era recluso. Não tinha amigos, não recebia visitas, a não ser de um patrão. “Menino educado e sossegado”, definiram moradores da Rua Nova Tiradentes, no Bairro Tiradentes, em Campo Grande, onde o rapto e assassinato brutal de Carla aconteceu.

No depoimento, Marcos André foi perguntado pela mãe e chamou a mulher de “vagabunda”. Relatou ter sido abandonado por ela. Sobre o pai, disse não ter contado.

Também conforme apurou a polícia, ele não tinha relacionamento com a vítima. Contou somente ter se sentido diminuído certa vez, semanas antes do crime, quando Carla passou por ele e não lhe respondeu um “bom dia”.

O servente disse à polícia que faz uso compulsivo de bebidas alcoólicas e alega sofrer amnésia com certa frequência.

Delegado Carlos Delano, responsável pela investigação, durante coletiva na manhã de hoje (Foto: Henrique Kawaminami)
Delegado Carlos Delano, responsável pela investigação, durante coletiva na manhã de hoje (Foto: Henrique Kawaminami)

O crime – Marcos André usa os “apagões” para justificar que não se lembra de dois momentos importantes do assassinato de Carla.

No interrogatório, disse que só se recorda de ter visto Carla passar por ele no dia 30 de junho e de ir atrás dela. Depois, quando acordou, no dia 1º de julho, viu o corpo da jovem casa onde vive.

Admitiu ter escondido o cadáver debaixo da cama e ido trabalhar normalmente na quarta e quinta-feira. Sobre a sexta-feira, dia 3 de julho, quando o corpo foi encontrado, ele diz ter outro lapso de memória. Narra que só percebeu ser o cadáver da vizinha em frente ao comércio na esquina de casa quando viu a movimentação no local.

Na entrevista coletiva, na manhã desta quarta-feira (15), o delegado Carlos Delano, contou que Marcos André afirmou que ninguém esteve na casa dele e, portanto, o assassinato não poderia ter sido cometido por outra pessoa.

O servente está com prisão preventiva decretada por feminicídio, por determinação do juiz Aluízio Pereira dos Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri. Embora ele não tivesse relacionamento com a jovem ou a família dela, o entendimento da polícia é de que houve “desvalor à condição de mulher”.