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Cidades

Em maio, uma mulher foi assassinada a cada 3 dias em MS

Parece repetitivo, mais uma matéria de estatística, mas o intervalo entre uma morte e outra impressiona

Por Anahi Zurutuza | 15/05/2020 13:15
Equipe recolhe o corpo de Graziele Quele, vítima de feminicídio em Campo Grande (Foto: Henrique Kawaminami/Arquivo)
Equipe recolhe o corpo de Graziele Quele, vítima de feminicídio em Campo Grande (Foto: Henrique Kawaminami/Arquivo)

O mês nem terminou e 4 mulheres foram vítimas de feminicidas. Em 2020, não só o número de assassinatos com características de violência de gênero assustam, mas a crueldade e o pouco intervalo entre um e outro. Em maio, uma mulher foi morta a cada 3 dias em Mato Grosso do Sul.

Valéria Ribeiro, de 30 anos, foi a 15ª vítima de feminicídio no Estado neste ano. O assassinato a facadas, na noite de ontem (15), foi filmado por vizinhos. Nos primeiros 15 dias deste mês, teve mulher queimada, morta e enterrada em fossa e mãe que morreu no lugar da filha.

Parece repetitivo, mais uma matéria de estatística, mas bater na mesma tecla, pode ajudar a “salvar outras”, já havia dito a juíza Helena Alice Machado Coelho, coordenadora da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) ao Campo Grande News.

A denúncia da mínima situação de violência é o primeiro passo para sobreviver à “escalada de violência”, disse a magistrada na entrevista publicada no dia 29 de abril (acesse aqui). Então, mais uma vez fica o alerta.

Valéria não chegou a procurar a polícia. Preferiu erguer o muro de casa às pressas depois que, há alguns dias, o ex-namorado Sérgio da Silva Verginio, 31 anos, invadiu a residência.

Valéria se foi aos 30 anos, a 15ª vítima de feminicídio em Mato Grosso do Sul neste ano (Foto: Arquivo pessoal)
Valéria se foi aos 30 anos, a 15ª vítima de feminicídio em Mato Grosso do Sul neste ano (Foto: Arquivo pessoal)

Celeide da Silva Valejo, que morreu aos 35 anos, assassinada em Anastácio no dia 9 deste mês só denunciou o companheiro por violência quando, com 70% do corpo queimado, era levada para o hospital. Ela contou à equipe do Corpo de Bombeiros que numa crise de ciúmes, Marcelo Adriano Jeronymo Rocha, de 34 anos, jogou álcool líquido e ateou fogo ao corpo dela.

Graziele Quele Ferreira Gomes, de 39 anos, morta por Edson Firmo Camargo, traficante conhecido como “Hulk”, também não tinha registros contra o namorado. Ela teve o pescoço quebrado, segundo a polícia, pelo namorado, que contou coma ajuda de outras três pessoas para “dar fim” no corpo. O crime foi o primeiro do mês, descoberto no dia 1º.

A única que já havia pedido socorro era Roseli Costa Soares, 28 anos. A medida protetiva contra Weber Barcelos da Silveira, 36 anos, contudo, não a livrou de ver a mãe Elza Lima Soares, 46 anos, ser morta pelo ex-marido, que se matou em seguida. A cena, na casa da família em Costa Rica, foi presenciada por três crianças na noite se segunda-feira (11).

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