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Campo Grande, Quinta-feira, 17 de Outubro de 2019

05/08/2019 17:03

Em uma década, Campo Grande reduziu índice de assassinatos em 47%

Dado consta de levantamento divulgado nesta segunda-feira pelo Ipea

Marta Ferreira
Arte: Thiago MendesArte: Thiago Mendes

No ano de 2007, Campo Grande tinha 724 mil habitantes e registrava, a cada 36 horas, uma morte por assassinato. Naquele ano, foram 241. Dez anos depois, em 2017, com 150 mil habitantes a mais, a frequência de mortes caiu para uma a cada 60 horas. Traduzida em índice por cem mil habitantes, a redução em 10 anos foi de 47%, colocando a cidade como a segunda capital menos violenta no País, segundos do Atlas da Violência divulgados nesta segunda-feira (5).

Conforme o Instituto, em 2007, Campo Grande tinha índice de 35,4 mortes por cem mil habitantes, número que passou para 18,8 em 2017, ano base do relatório sobre violência apresentado ontem. Apesar de casos rumorosos e do aparacimento do "tribunal do crime" das facções nos últimos anos, em números absolutos, o total de assassinatos caiu 41%.

A pesquisa também faz recorte do intervalo de cinco anos, entre 2012 e 2017, e revela queda de 35% no índice de homicídios na capital sul-mato-grossense, passando de 23,2 para os 18,8 por grupo de cem pessoas. Em números absolutos, o registro foi de 178 assassinatos em 2012 para os 142 de 2017.

O estudo do Ipea contabiliza, ainda, os homicídios ocultos, como são consideradas mortes violentas classificadas pelas autoridades como “sem causa determinada”. Neste caso, em Campo Grande foram 16 em 2007 e 22 em 2017, aumento de 40,3%. O pico em relação a esse dado foi em 2016, quando foram registrados 53 casos de homicídios ocultos.

Bem no ranking – O documento do Ipea traz Campo Grande como a cidade com a maior redução no índice de assassinatos em 2017, com -28,9% em relação a 2016, quando a taxa atingiu 26,4 e foram registradas 175 assassinatos. Em relação às capitais, a cidade só perde para São Paulo, a cidade mais rica e mais populosa do Paí, que teve índice de 13,2 no ano do levantamento. Foram mais de mil mortes em 2017, dado que fica abaixo do restante do País quando comparado à população paulistana, de mais de 11 milhões de pessoas.

Apesar de concentrar mais da metade de todas as mortes em Mato Grosso do Sul, no ano base do estudo, Campo Grande tem taxa 45% menor que a estadual, de 34,3. Entre as cidades maiores, como mostra reportagem que você pode ler no Campo Grande News, o maior índice é de Dourados, seguida por Três Lagoas e Corumbá.

Os pesquisadores, no texto do estudo, não explicitam as causas das mudanças nos índices em Campo Grande. Na conclusão, porém, afirmam haver luz no “fim do túnel” e dizem que ela vem dos estados onde houve redução, como ficou nítido nos dados campo-grandenses. “A luz passa por políticas focalizadas em territórios vulneráveis”, afirma o pesquisador Daniel Cerqueira.

“Quando essas políticas são feitas e concatenadas com a política de qualificação do trabalho policial, com inteligência e boa investigação, se consegue, a curto prazo, diminuir os homicídios no país”, diz.

A solução, sugerida pelo estudo, conjuga três pilares fundamentais. “Em primeiro lugar, o planejamento de ações intersetoriais, voltadas para a prevenção social e para o desenvolvimento infanto-juvenil, em famílias de situação de vulnerabilidade. Em segundo lugar, a qualificação do trabalho policial, com mais inteligência e investigação efetiva. Por fim, o reordenamento da política criminal e o saneamento do sistema de execução penal, de modo a garantir o controle dos cárceres pelo Estado”.

Equipe retira corpo de vítima de assassinato ocorrido 2017, em Campo Grande. Cidade registrou redução nos números em 2017. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)Equipe retira corpo de vítima de assassinato ocorrido 2017, em Campo Grande. Cidade registrou redução nos números em 2017. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)
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