ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no Twitter Campo Grande News no Instagram
FEVEREIRO, SÁBADO  24    CAMPO GRANDE 26º

Cidades

Empresa em MS ligada a Faraó dos Bitcoins saiu de R$ 10 mil para R$ 444 milhões

Investigação da PF seguiu as movimentações financeiras de Glaidson e da advogada Eliane Medeiros

Aline dos Santos | 08/02/2022 11:47
Advogada Eliane Medeiros de Lima é sócia-administradora da GLA Serviços de Tecnologia, localizada na Capital. (Foto: Reprodução)
Advogada Eliane Medeiros de Lima é sócia-administradora da GLA Serviços de Tecnologia, localizada na Capital. (Foto: Reprodução)

Investigação da operação Kryptos, em que a PF (Polícia Federal) mirou o “Faraó dos Bitcoins”, mostra a evolução financeira da advogada Eliane Medeiros de Lima, presa na última quinta-feira (dia 3) em Campo Grande, e de sua empresa, a GLA Serviços de Tecnologia Ltda.

Conforme relatório, a movimentação da advogada saltou de R$ 793 mil em 2017 para R$ 1,9 milhão no ano de 2020. O relatório da PF também traz dados sobre a GLA. A empresa saiu de créditos de R$ 10.281 em 2018 para R$ 444 milhões em 2020. Conforme informado à Receita Federal, a GLA Serviços fica localizada na Rua Paraná, bairro Santa Fé, mesmo endereço do escritório da advogada.

A ligação entre Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como “Faraó dos Bitcoins”, e Mato Grosso do Sul foi traçada por meio de empresas, seguindo o rastro do dinheiro. Ele é acusado de comandar um esquema de fraudes bilionárias a partir de sistema de pirâmide financeira envolvendo criptomoedas. Pelo menos R$ 38,2 bilhões foram movimentados entre os anos de 2015 e 2021 no Brasil e no exterior.

Primeiro, a Bitiminex Tecnologia da Informação, criada por morador de Campo Grande, no ano de 2017, oferecia serviços de BProcess (processamento de transações envolvendo criptomoedas), BExchange (transação cambial de criptoativos) e  BPay  (processamento de pagamento de contas).

No ano seguinte, a empresa passou a se chamar LLS Gestão de Tecnologia e se tornou grande parceira de Glaidson no início das suas atividades. Conforme os relatórios de inteligência financeira, até o final de 2018 a LLS foi a terceira maior destinatária de recursos: recebeu R$ 8.394.247,37.

A parceria ruiu a partir de maio de 2019, quando a PF deflagrou a operação Madoff, que apurou a atividade ilegal de administração de investimentos em criptomoedas. O dono da empresa foi um dos alvos e a LLS acabou baixada em 30 de novembro de 2020.

Com a empresa fora do circuito, a investigação aponta que Glaidson passou a operar em Campo Grande com a SRS Cobranças Ltda, que recebeu R$ 600.000,00 da G.A.S, empresa com as iniciais de Glaidson Acácio dos Santos.

Em outubro de 2019, a SRS foi rebatizada de GLA Serviços de Tecnologia Ltda. “De maneira rápida, a GLA se tornou a segunda maior destinatária de recursos de GLAIDSON, ficando atrás somente da M Y D de sua companheira MIRELIS, tendo recebido R$ 324.883.458,11 entre julho de 2019 até dezembro de 2020”, informa o relatório da Polícia Federal.

Comunicado bancário ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) detalhou que, num dos casos, a G.A.S creditou R$ 64.906.615,93 na conta de titularidade da GLA. Na sequência, a GLA transferiu R$ 64.801.224,00 para uma terceira empresa.

A análise é de que a GLA se tornou uma intermediária para a remessa de dinheiro ao exterior, por meio de criptomoedas, além de repassar parte de seus valores para diversas pessoas físicas, indicativo de que também desempenhava o papel de intermediária da G.A.S. com os investidores.

Para a investigação, a advogada divagou quando consultada sobre o tema, “calcando a omissão na prestação de informações esclarecedoras em uma cláusula de confidencialidade inserida em um contrato celebrado entre as partes”.

Eliane tem OAB cancelada em Mato Grosso do Sul, mas com registro em situação regular na seccional de São Paulo.

No ano passado, a 13ª Vara Cível de Campo Grande determinou o bloqueio de R$ 455 mil da advogada por pirâmide financeira, prática rebatizada como marketing multinível. A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Eliane Medeiros de Lima.

Nos siga no Google Notícias