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Cidades

Esposa e filha de PM são condenadas em ação que exibiu tráfico e ostentação

Foi a primeira sentença da operação Laços de Família, realizada em junho de 2018 pela Polícia Federal

Por Aline dos Santos | 30/01/2020 11:59
Ferrari era usada por filho de policial para circular por Mundo Novo. (Foto: Reprodução/Facebook)
Ferrari era usada por filho de policial para circular por Mundo Novo. (Foto: Reprodução/Facebook)

Esposa e filha do policial militar Silvio César Molina Azevedo, apontado como líder de quadrilha de tráfico de drogas e de uma família afeita a estilo de vida luxuoso, foram condenadas pela 3ª Vara da Justiça Federal de Campo Grande. Primeira sentença da operação Laços de Família, realizada em junho de 2018 pela PF (Polícia Federal), a decisão data de 19 de dezembro do ano passado, mas foi publicada hoje (dia 30).

Roseléia Teixeira Piovezan Molina Azevedo e a filha Jéssica Piovezan Azevedo Molina foram enquadradas na Lei 11.343/2006 por associação para o tráfico. Segundo a decisão, as duas atuavam com papel auxiliar, mas importante, na engrenagem do grupo criminoso: transmitindo recados e mensagens (à distância e pessoalmente), cobrando e recebendo diretamente valores devidos por fornecimento de drogas.

Esposa do policial, Roseléia foi condenada a 7 anos e seis meses de reclusão, mas como está presa desde 25 de junho de 2018, restam seis anos e cinco meses de pena. A condenação de Jéssica foi a quatro anos e nove meses, em regime aberto. Ela estava no presídio feminino de Campo Grande e o alvará de soltura foi cumprido em 21 de dezembro.

O esquema levava a maconha produzida no Paraguai para a região Nordeste do Brasil, além de relações comerciais com a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). Em Mundo Novo, o quilo da droga é cotado a R$ 100, enquanto que no Nordeste, o “produto” vale seis vezes mais: R$ 600 o quilo.

Em setembro de 2016, na apreensão de três toneladas de maconha, as duas ficaram encarregadas de recepcionar, em Mundo Novo, o motorista que levaria a carga. O carregamento foi apreendido em Guaíra (Paraná). A investigação também aponta que Roseléia e Jéssica viajaram ao Rio Grande do Norte em julho de 2017 para acerto de créditos de traficantes nordestinos. Nos depoimentos, elas afirmaram que faziam “favores” aos demais membros da família.

Roseleia justificou que a viagem aconteceu logo após o assassinato do filho por um pedido do marido, que temia pela segurança da família. Jefferson Henrique Piovezan Molina foi morto em 18 de junho de 2017.

Entrada de Molina e a esposa no casamento da filha. (Foto: Facebook)
Entrada de Molina e a esposa no casamento da filha. (Foto: Facebook)

Ostentação – A decisão menciona o estilo ostentação da família Molina, incompatível com os rendimentos declarados pelos seus integrantes. “São relacionados diversos automóveis, de luxo inclusive, e imóveis que compunham patrimônio extenso, além de outras situações identificadas de intensa ostentação de uma riqueza sem lastro, tais como viagens internacionais, festas caras, aluguel de aeronaves, negociação de embarcações e fazendas”, informa a sentença.

Jefferson Molina circulava por Mundo Novo a bordo de uma Ferrari avaliada em R$ 600 mil. Um veículo de luxo do mesmo modelo foi alugado por ele e a esposa em viagem a Paris, em hospedagem com vista para a Torre Eiffel, marco da Cidade Luz.

Em pouco mais de um ano de investigação, foram apreendidos 27,4 toneladas de maconha, “além da apreensão de milhões de reais em patrimônio decorrente da narcotraficância organizada, com a identificação de milhões de reais movimentados em contas de terceiros”. A operação Laços de Família tem um delator: o piloto de avião Felipe Ramos Morais.

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