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Cidades

Força-tarefa entrega cestas básicas a indígenas e quilombolas do Pantanal

Por Paula Maciulevicius Brasil | 20/11/2020 13:35
Ação levou cesta-básica para regiões atendidas pelos incêndios no Pantanal, além da pandemia. (Foto: Divulgação)
Ação levou cesta-básica para regiões atendidas pelos incêndios no Pantanal, além da pandemia. (Foto: Divulgação)

"Nos atrapalhou e queimou tudo. Os coitadinhos dos bichinhos estavam morrendo de sede. Por causa da fumaça, a gente nem podia sair. As crianças ficavam tossindo, o fogo chegou pertinho, bem aqui neste morro". As palavras são de Jussara Riuni, da aldeia Barro Preto, território indígena Kadiwéu fica em Porto Murtinho na região do Pantanal.

Jussara recebeu uma das 409 cestas básicas que estão sendo distribuídas nas aldeias Córrego do Ouro, São João, Campina, Alves de Barros, Tomásia e Barro Preto, todas na região pantaneira de Porto Murtinho, que corresponde a um território de 538 mil hectares.

Uma das entregas nas aldeias indígenas dos Kadiwéu em Porto Murtinho. (Foto: Divulgação)
Uma das entregas nas aldeias indígenas dos Kadiwéu em Porto Murtinho. (Foto: Divulgação)

A região toda sofreu com incêndios que chegaram bem próximo das aldeias, perderam fontes de renda e de sustento por conta disso, além do contexto de pandemia. As entregas fazem parte do Movimento Pantanal Chama e também integra a iniciativa Impulsa Pantanal, promovida pela Mupan (Mulheres em Ação no Pantanal) em parceria com a Wetlands International. A SOS Pantanal e Funai também estão no auxílio. Já as cestas foram doadas pela UniãoBR em parceria com a SOS Pantanal.

"A SOS Pantanal é parceria de longa data nossa, conhece o nosso trabalho, o nosso Programa Corredor Azul. Por isso, sabem que não é de hoje que desenvolvemos trabalhos com as comunidades tradicionais do Pantanal e que poderíamos agregar nesse trabalho junto à população local", fala a coordenadora de assuntos indígenas e comunidades tradicionais da Wetlands International Brasil, Lilian Ribeiro, que está pessoalmente trabalhando na missão.

O foco da SOS não é assistencialismo, no entanto a organização diz que percebeu com esses incêndios que é preciso ajudar não só o bioma, como as comunidades que vivem nele.

Ação solidária - O repasse das cestas básicas foi iniciado na segunda-feira (16) e deve seguir até o fim de semana. Ao todo, 1.100 cestas básicas foram arrecadadas pela SOS Pantanal com a União BR e União São Paulo dentro do Movimento Pantanal Chama para os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Deste número, 550 cestas serão entregues em Porto Murtinho, na comunidade quilombola Família Osório, em Corumbá e depois os Guatós.

Cestas básicas serão divididas entre o Pantanal mato-grossense e sul-mato-grossense. (Foto: Divulgação)
Cestas básicas serão divididas entre o Pantanal mato-grossense e sul-mato-grossense. (Foto: Divulgação)

A força-tarefa tem chegado em boa hora para auxiliar famílias como a da artesã Creuza Vergílio, que também é presidente da Associação das Mullheres Artistas Kadiwéu, que vem sentindo os impactos ambientais na mesa e renda. "Este ano, com as queimadas muitas frutas que a gente ia buscar nessa época, hoje, não tem mais. Não tem guavira e nem outros tipos de alimentos. A pandemia também prejudicou a venda do artesanato e por isso é muito importante um apoio como esse", afirmou.

Todo o trabalho de entrega está sendo acompanhado pelos brigadistas da Abink (Associação de Brigadistas Indígenas da Nação Kadiwéu), que trabalharam ao lado do PrevFogo/Ibama no combate das queimadas no Pantanal. "Teria que ser feito um trabalho de manuseio de campo porque são 538 mil hectares para cuidar. A minha luta, agora, é reivindicar para que o trabalho [brigada] nosso seja permanente com o Ibama. Não é para ter emprego, mas, pensando na questão do meio ambiente de como a gente pode manusear e conservar o Pantanal. E, a entrega das cestas, com certeza, ajuda dentro deste contexto de cuidado", afirmou o vice-cacique da aldeia Alves de Barros, Gilberto Pires.

A entrega das cestas têm seguido o protocolo de segurança, com uso de máscaras, álcool em gel, distanciamento de no mínimo 1,5m entre as pessoas.

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