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Cidades

Golpe do “ECA Digital” usa fotos de crianças nas redes para cobrar falsas multas

Famílias são ameaçadas com processos e cobranças via Pix por supostas irregularidades na exposição de menores

Por Ângela Kempfer | 25/09/2026 09:25
Golpe do “ECA Digital” usa fotos de crianças nas redes para cobrar falsas multas
Criança assiste a desenho animado no celular (Foto: arquivo)

Famílias que costumam compartilhar fotos de crianças e adolescentes nas redes sociais passaram a ser alvo de um novo tipo de fraude digital. Criminosos estão usando o nome do ECA Digital (Estatuto da Criança e do Adolescente Digital) para enviar falsas notificações, acusar responsáveis de cometer irregularidades e cobrar pagamentos urgentes via Pix para evitar supostos processos.

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Criminosos estão usando o nome do ECA Digital para aplicar golpes contra famílias que compartilham fotos de crianças nas redes sociais. Os fraudadores enviam falsas notificações, acusam responsáveis de irregularidades e cobram pagamentos via Pix para evitar supostos processos. A SaferNet Brasil alerta que a lei não prevê multas enviadas por mensagem e que as regras valem para plataformas, não para redes domésticas. Especialistas recomendam não realizar pagamentos e confirmar informações com órgãos oficiais.

Apesar dos relatos já identificados em outros estados e regiões do país, ainda não há registro de casos do chamado “golpe do ECA Digital” em Mato Grosso do Sul, conforme levantamento inicial.

A fraude ganhou repercussão após um estudo da Certta e da Nexus apontar que criminosos estão explorando a preocupação das famílias com novas regras de proteção de crianças e adolescentes no ambiente on-line. A estratégia aproveita a falta de informação sobre a legislação para criar uma situação de medo e urgência.

O levantamento Mapa de Confiança Digital analisou conteúdos publicados entre janeiro e julho de 2026 nas redes X, Facebook e Instagram, além do fórum Reddit. Foram encontradas cerca de mil menções espontâneas relacionadas aos temas “Menores de Idade e ECA Digital”.

Segundo os pesquisadores, as discussões nas redes se concentram em dois grupos principais. Um deles debate formas de fiscalização e proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital. O outro reúne relatos de pessoas que receberam tentativas de golpe usando o nome da legislação.

Na prática, os criminosos entram em contato com responsáveis afirmando que fotos publicadas dos filhos violariam regras de proteção de menores. Em seguida, apresentam supostas multas e exigem pagamento imediato para evitar medidas judiciais.

Para dar aparência de legitimidade, os golpistas utilizam informações disponíveis nas próprias redes sociais das vítimas, como nome da criança, escola onde estuda, locais frequentados e nomes de familiares.

“Em momentos de mudança, como a implementação de novas regras de proteção no ambiente digital, os criminosos encontram oportunidades para explorar dúvidas e vulnerabilidades. Por isso, entender como essas fraudes surgem e se aproximam do cotidiano das pessoas é fundamental para antecipar riscos, orientar os usuários e fortalecer a proteção ao longo de toda a jornada”, afirmou Roberto Ferlis, vice-presidente de Legal e Compliance da Certta.

Lei não prevê multa enviada por mensagem

A dinâmica do golpe também foi identificada pela SaferNet Brasil, organização que monitora crimes e violações de direitos na internet. Segundo a entidade, criminosos também já tentaram aplicar fraudes semelhantes acusando famílias de acessar conteúdos impróprios e cobrando uma suposta “regularização” por Pix.

A orientação da organização é que responsáveis desconfiem de qualquer cobrança recebida por mensagem ou rede social relacionada ao ECA Digital.

“A lei existe. A multa para famílias, não. As novas regras valem para plataformas digitais: nenhum órgão monitora sua rede doméstica nem envia cobrança pelo que é acessado em casa”, informou a SaferNet em publicação nas redes sociais.

O estudo da Nexus reuniu dados coletados entre 1º de janeiro e 22 de julho de 2026. A análise considerou mais de 60 mil menções em redes sociais, com cerca de 44 milhões de interações, além de pesquisas feitas em mecanismos de busca como Google e Bing e análise de discussões no Reddit.

Especialistas alertam que a exposição excessiva de informações pessoais nas redes facilita a ação dos golpistas. Fotos de crianças, uniformes escolares, localização de atividades e detalhes da rotina podem ser usados para criar abordagens mais convincentes.

A recomendação é evitar compartilhar dados que permitam identificar a rotina dos menores, não realizar pagamentos diante de ameaças recebidas por mensagem e sempre confirmar informações diretamente com órgãos oficiais. Em caso de tentativa de golpe, a orientação é registrar ocorrência e guardar prints das mensagens, números de telefone e comprovantes de contato.

*Com informações do Jornal O Globo