Apostas em bets avançam entre jovens e ampliam risco de dependência
Especialistas também alertam para a influência da publicidade feita por criadores de conteúdo

Cada vez mais jovens têm buscado ajuda para abandonar a dependência de bets. Luiz Carlos*, integrante dos Jogadores Anônimos, relata que até adolescentes de 14 anos já chegaram ao grupo acompanhados por profissionais de saúde.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
Gustavo Pereira, de 24 anos, começou a apostar aos 18 e estima ter perdido meio milhão de reais em seis anos. “Eu dormia pensando em apostar e acordava pensando em apostar”, relata. Há cerca de dois meses sem jogar, ele tenta recomeçar a vida.
- Leia Também
- Em oito meses, total de apostadores em bets cresceu 75% no País
- STF suspende julgamento que pode definir futuro do jogo do bicho no País
Especialistas apontam que jovens são especialmente vulneráveis porque regiões do cérebro relacionadas ao controle de impulsos e à avaliação de riscos ainda estão em desenvolvimento.
Pesquisa divulgada pela Frente Parlamentar Mista de Educação, feita com 1.912 estudantes dos ensinos fundamental e médio, mostrou que 9,5% fizeram a primeira aposta aos 11 anos. Quase metade dos entrevistados no 3º ano do ensino médio já havia apostado.
Relatório do IBICT (Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia) concluiu que pelo menos 24 milhões de brasileiros apostaram em bets em 2024 e quase metade ficou endividada.
O impacto também chega à educação. Pesquisa da ABMES (Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior) apontou que 34% dos entrevistados disseram que precisariam parar de gastar com apostas para iniciar uma graduação em 2026. Entre universitários, 14% afirmaram ter atrasado mensalidades ou trancado o curso por causa dos gastos com bets.
Proteção - Menores de 18 anos são proibidos de apostar online. O ECA Digital (Estatuto Digital da Criança e do Adolescente), em vigor desde março de 2026, estabeleceu mecanismos mais rigorosos de verificação de idade em aplicativos, jogos e redes sociais.
Especialistas também alertam para a influência da publicidade feita por criadores de conteúdo. Estudo do IBICT identificou o uso de redes sociais, principalmente o YouTube, para estimular crianças e jovens a apostar.
Para os pesquisadores, o enfrentamento do problema exige fiscalização, educação digital, participação das famílias e cumprimento das regras pelas plataformas.
*Sobrenome omitido a pedido do entrevistado.
Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.

