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Cidades

Infiltrado nos “mocinhos”, PF é acusado de montar estrutura para proteger Fahd

Segundo o Gaeco, o policial bastecia o grupo com dados sigilosos e direcionava investigações para minar concorrentes

Por Aline dos Santos | 29/12/2020 10:33
Policial federal experiente, Everaldo era bastante consultado por colegas e autoridades. Na foto, está em solo paraguaio (Foto: Reprodução)
Policial federal experiente, Everaldo era bastante consultado por colegas e autoridades. Na foto, está em solo paraguaio (Foto: Reprodução)

Com remuneração calculada em R$ 20 mil, policial federal com experiência na fronteira e consultor informal de autoridades, Everaldo Monteiro de Assis, 61 anos, é acusado na operação Omertà de montar estrutura paralela para proteger organização criminosa de Fahd Jamil, 79 anos, mais conhecido como “Rei da Fronteira” entre Mato Grosso do Sul e o Paraguai.

De acordo com o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), o agente abastecia o grupo com dados sigilosos e também direcionava investigações para minar concorrentes.

O policial não participava diretamente das ações, mas era bastante consultado por colegas e autoridades. Como no caso de um promotor do Gaeco de São Paulo, para quem repassou dados sobre rival de Flávio Jamil Georges, filho de Fahd.

Everaldo Monteiro é um agente da Polícia Federal com muita experiência na região de fronteira com o Paraguai, motivo que alguns colegas da PF e outras autoridades procuram o mesmo para obter entendimento sobre a situação do crime organizado na fronteira, mormente quando encontram alguma dúvida acerca do assunto durante investigação em curso”, informa o Gaeco.

No entanto, Everaldo é suspeito de atuar para tirar a família de Fahd Jamil do foco dos agentes de segurança pública, que suspeitavam das atividades criminosas deles na região fronteiriça.

A relação de amizade entre o policial, que foi afastado da PF, e Flávio Georges é detalhada na terceira fase da operação Omertà, realizada em junho deste ano.  A apreensão do aparelho de telefone do agente de segurança pública revelou além de conversas frequentes em tom de proximidade, encontros com registro fotográfico. Um deles ocorreu no Hotel Guarani, em Pedro Juan Caballero, de propriedade da família de "Fuad".

Comprava informações sigiliosas - A promotoria denuncia que a estrutura paralela criada por Everaldo até corrompia funcionários de empresas de telefonia para rastrear pessoas de interesse do grupo. Os dossiês eram montados a partir de extratos telefônicos, dados cadastrais e de consultar às ERB´s (Estações Rádio-Base), que mostram a localização dos celulares.

“Em que pese não estar na atividade investigativa da instituição, utiliza-se constantemente de operações da Polícia Federal em andamento para pedir extratos, localização de estação radio-base (Erb), dados cadastrais e telefônicos dos alvos que porventura estejam no radar da orcrim [organização criminosa] que presta assessoria”, informa a investigação.

 "Ajudar a gente" - Num diálogo com Flávio Georges, o policial conta que jogou “171” num colega que assumiu cargo no Ministério da Justiça e que “isso pode ajudar a gente”.

Em outra conversa, prometeu se informar sobre a duração da operação Ágata, ação das Forças Armadas já tradicional nas fronteiras de Mato Grosso do Sul. Flávio queria a informação porque ia levar o pai com escolta armada até aeroporto.

“Eu fico preocupado de levar os meninos, né? Senão... Será que você não dá uma perguntada aí e me avisa? Se vai, se tem mesmo essa operação ainda e se vai até quando?”, questionou o filho de Fahd.

Everaldo está preso desde a primeira fase da Omertà, realizada em setembro de 2019. Para mantê-lo na prisão, o Gaeco aponta sua alta periculosidade. Já a defesa afirma que tamanho perigo é “pura fantasia do Ministério Público”.

Fahd Jamil  e o filho seguem foragidos.

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