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Cidades

Ostentação chamou a atenção para contrabandistas com clientes famosos

Policiais federais e agentes da Receita estiveram nesta manhã em endereços "caros" de Campo Grande

Por Anahi Zurutuza e Bruna Marques | 26/05/2021 08:54
Mandado foi cumprido em hotel luxuoso na Avenida Afonso Pena (Foto: Henrique Kawaminami)
Mandado foi cumprido em hotel luxuoso na Avenida Afonso Pena (Foto: Henrique Kawaminami)

A ostentação de alguns dos investigados nas redes sociais chamou a atenção da PF (Polícia Federal) e da Receita Federal novamente para esquema de contrabando, que, conforme as apurações, contava com lojas em hotel e shopping de Campo Grande, filial em Chapadão do Sul e tinha clientes famosos “de renome nacional”.

Nenhum nome foi divulgado. O Campo Grande News apurou, contudo, que pelo menos 11 celebridades "emprestaram a imagem" para divulgar a loja R3 Imports, principal alvo da Operação Harpócrates 2, deflagrada nesta quarta-feira (26).

Em página da empresa no Instagram, aparecem rostos de sertanejos como Thiago Brava, Kauan (da dupla com Matheus), Vinícius (da dupla com João Bosco), Paula Mattos, Munhoz e Mariano, Jads (da dupla com Jadson), César Menotti (da dupla do Fabiano) e Loubet. Adriane Galisteu e Carla Prata também são "garotas propagandas" da empresa que anuncia fazer entregas para todo o Brasil.

"Loja Top, preço justo, entrega rápida”, diz Menotti em vídeo publicado em julho do ano passado. Segundo a PF e a Receita, os famosos não são investigados.

Da direita para a esquerda, de cima para baixo, Thiago Brava, Vinícius, Paula Mattos, Jads, Mariano e Adriane Galisteu (Fotos: Reprodução do Instagram)
Da direita para a esquerda, de cima para baixo, Thiago Brava, Vinícius, Paula Mattos, Jads, Mariano e Adriane Galisteu (Fotos: Reprodução do Instagram)

Mandados - Nesta manhã, além de ordem judicial cumprida no Residencial Castelo de Luxemburgo, a Avenida Senador Antônio Mendes Canale, na Capital, a Operação Harpócrates 2 esteve em endereços “mais caros”.

Mandado de busca foi cumprido no Grand Park Hotel, na Avenida Afonso Pena, em frente ao Shopping Campo Grande. No local, policiais federais e agentes da Receita apreenderam eletrônicos, 4 motocicletas elétricas, uma bicicleta elétrica e um patinete elétrico.

Policiais federais também estiveram em edifício no Carandá Bosque (Foto: PF/Divulgação)
Policiais federais também estiveram em edifício no Carandá Bosque (Foto: PF/Divulgação)

Houve “visita” ainda a apartamento no Edifício Mondrian Residence, no Carandá Bosque. Loja no Shopping Campo Grande também foi alvo de mandado.

Num dos endereços, foram encontrados celulares e outros eletrônicos, além de dinheiro.

O esquema – Segundo a PF, o esquema criminoso investigado tem a seguinte dinâmica: lojistas usam doleiros para enviar dinheiro a fornecedores das mercadorias no Paraguai, importam os produtos sem o pagamento de impostos e para dar “legalidade” aos carregamentos usam empresas de fachada que emitem notas fiscais frias. Os eletrônicos são, depois, revendidos no território nacional.

Três anos e meio depois de ser alvo da primeira operação, o esquema de contrabando voltou para a mira. Nesta quarta-feira (26), 62 policiais federais e 20 agentes da Receita estão nas ruas de Campo Grande e Chapadão do Sul para prender uma pessoa, cumprir 14 mandados de busca e fazer o sequestro de 2 imóveis, veículos e valores existentes em contas bancárias de quatro investigados.

Buscas foram feitas em loja de shopping (Foto: PF/Divulgação)
Buscas foram feitas em loja de shopping (Foto: PF/Divulgação)

Conforme divulgado pela Receita, a ação é continuação da Operação Harpócrates, deflagrada em 21 de dezembro de 2017, porque, segundo as investigações, “a comercialização de quantidade expressiva de produtos eletrônicos estrangeiros, sem o devido registro de importação” não parou.

O nome da operação faz referência à mitologia grega, na qual Harpócrates representa o deus do silêncio e do segredo. A segunda fase da operação está em busca de provas dos crimes de contrabando e descaminho, de lavagem de dinheiro e de evasão de divisas.

O Campo Grande News tentou contato com a R3 Imports, mas o celular de um dos proprietários está desligado e o fixo da empresa, divulgado na internet, chama até cair.


*Matéria alterada às 10h49 para acréscimo de informações.

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