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Cidades

Parceria transforma bares em pontos de apoio a mulheres vítimas de violência

Prefeitura e Abrasel vão capacitar equipes e certificar estabelecimentos para acolher quem precisar de ajuda

Por Anderson Viegas e Fernanda Palheta | 07/08/2026 08:55
Parceria transforma bares em pontos de apoio a mulheres vítimas de violência
Bares e restaurantes que aderirem ao programa receberão treinamento para acolher mulheres em situação de violência e, após a capacitação, serão certificados com o Selo Lugar Seguro (Foto: Arquivo)

Bares e restaurantes de Campo Grande passarão a integrar uma rede de acolhimento para mulheres em situação de violência. A iniciativa será oficializada nesta sexta-feira (7), durante o lançamento da campanha Agosto Lilás, com a assinatura de um termo de cooperação entre a Prefeitura de Campo Grande e a Abrasel-MS (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), que cria o programa Lugar Seguro.

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Bares e restaurantes de Campo Grande passarão a integrar o programa Lugar Seguro, criado pela Prefeitura e pela Abrasel-MS para acolher mulheres em situação de violência. Os estabelecimentos receberão treinamento para identificar pedidos de ajuda, conduzir a vítima a um espaço reservado e acionar a rede de proteção. Após a capacitação, ganharão o Selo Lugar Seguro. A iniciativa começa com cerca de 400 empresas associadas e integra o Agosto Lilás.

A proposta prevê que os estabelecimentos participantes recebam treinamento para que funcionários e gestores saibam identificar situações de violência, acolher a vítima, conduzi-la a um local reservado e acionar a rede de proteção. Após a capacitação, os bares e restaurantes receberão o Selo Lugar Seguro, certificando que estão preparados para oferecer esse primeiro atendimento.

A expectativa é que a iniciativa alcance, inicialmente, os cerca de 400 estabelecimentos associados à Abrasel-MS, mas a adesão poderá ser ampliada para outros empreendimentos interessados.

Do cartaz à ação

Para o presidente da Abrasel-MS, Cristiano Parmezan, a principal diferença da iniciativa é transformar campanhas de conscientização em uma resposta prática dentro dos estabelecimentos.

Segundo ele, muitos bares e restaurantes já exibiam cartazes sobre violência contra a mulher, principalmente em banheiros e próximos aos caixas, mas nem sempre os funcionários sabiam reconhecer um pedido de ajuda ou como agir diante de uma situação de risco.

"Agora o mais importante será o treinamento. Os funcionários e os proprietários vão aprender como identificar uma situação de violência, acolher essa mulher e encaminhar o atendimento. O selo mostrará que aquele estabelecimento passou por essa preparação", afirma.

Parmezan acredita que a adesão será ampla. "É uma causa que mobiliza todo o setor. Não vejo motivo para que algum estabelecimento queira ficar de fora. É uma iniciativa importante para toda a sociedade."

Como funcionará o atendimento

A secretária executiva da Mulher, Angélica Fontanari, explica que o objetivo é criar uma rede de apoio capaz de oferecer proteção imediata às mulheres que procurem ajuda durante episódios de violência, ameaça ou assédio.

Parceria transforma bares em pontos de apoio a mulheres vítimas de violência
A secretária executiva da Mulher, Angélica Fontanari, afirma que o programa pretende transformar bares e restaurantes em pontos de apoio, com equipes preparadas para acolher mulheres em situação de violência e acionar a rede de proteção (Foto: Fernanda Palheta)

Cada estabelecimento participante deverá reservar um espaço seguro, como uma sala administrativa ou outro ambiente reservado, para retirar a vítima da exposição até que a rede de atendimento seja acionada.

Além disso, os funcionários serão orientados sobre como agir diante de diferentes situações e para quais órgãos encaminhar cada ocorrência.

 A capacitação também pretende ampliar o reconhecimento de sinais silenciosos de pedido de ajuda, como o gesto da mão utilizado internacionalmente por mulheres em situação de violência, ainda pouco conhecido por parte da população.

"A ideia é que deixe de existir apenas um cartaz na parede. Queremos que as equipes saibam reconhecer quando uma mulher está pedindo socorro, acolhê-la, garantir sua segurança e acionar imediatamente a rede de proteção", explica Angélica.

Educação para prevenir

Durante o lançamento da campanha Agosto Lilás, a Secretaria Executiva da Mulher também reforçará que o enfrentamento ao feminicídio depende da prevenção e da mudança cultural.

Segundo Angélica Fontanari, Campo Grande conseguiu reduzir em quase 50% os casos de feminicídio no último ano, resultado atribuído ao fortalecimento da rede de atendimento às mulheres.

Ela ressalta, porém, que Mato Grosso do Sul ainda registra índices elevados desse tipo de crime e que o feminicídio representa o estágio final de um ciclo de violências. "O feminicídio não acontece de um dia para o outro. Antes dele existem violências psicológica, física, sexual, moral e patrimonial. Por isso precisamos investir na prevenção e fortalecer cada vez mais a rede de proteção", afirma.

Para a secretária, o combate à violência também passa pela educação. "Precisamos ensinar desde cedo que ninguém é dono de ninguém. Esse sentimento de posse ainda presente na cultura machista é um dos fatores que levam ao feminicídio. Essa mudança só será possível por meio da educação e da conscientização."

Próximos passos

Com a assinatura do termo de cooperação, a Prefeitura iniciará o cronograma de visitas aos estabelecimentos interessados para realizar as capacitações. Após a conclusão do treinamento, os bares e restaurantes receberão o Selo Lugar Seguro, identificando os locais preparados para oferecer acolhimento inicial e acionar a rede de proteção às mulheres em situação de violência.

A ação integra a programação do Agosto Lilás, campanha nacional dedicada à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a mulher, em referência ao mês de sanção da Lei Maria da Penha, que completa 20 anos.