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Procura por exames de covid faz Lacen dobrar demanda e chegar ao limite

Local que fazia 4 mil análises por semana agora trabalha com números entre 8 mil e 9 mil exames

Por Nyelder Rodrigues e Ana Oshiro | 11/03/2021 08:34
Testes de covid 'padrão ouro' apresentaram significativa alta em Mato Grosso do Sul (Foto: Kisie Ainoã/Arquivo)
Testes de covid 'padrão ouro' apresentaram significativa alta em Mato Grosso do Sul (Foto: Kisie Ainoã/Arquivo)

A pandemia de covid-19 segue forte no Brasil e Mato Grosso do Sul vem experimentando uma recente alta dos números, com redução do total de leitos de UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) disponíveis e cada vez mais pessoas infectadas. Muitas delas não necessitam de internação ou sequer apresentam sintomas.

Contudo, a realização de exames para constatação da doença é cada vez maior, com uma demanda que nas últimas semanas chegou a dobrar e fez o Lacen (Laboratório Central de Saúde Pública), da SES (Secretaria de Estado de Saúde), chegar ao seu limite.

"O nosso Lacen tem recebido muito mais [exames para serem analisados] do que recebia a 30, 45 dias atrás", frisou o secretário estadual de Saúde, Geraldo Resende, durante live realizada esta semana ao lado do governador Reinaldo Azambuja (PSDB).

Conforme números apurados pela reportagem junto à pasta estadual de saúde, em média a demanda por exames semanalmente ficou na casa das 4 mil análises no Lacen durante o mês de janeiro e parte de fevereiro, quando começou haver um aumento.

Esse crescimento coincidiu com a propagação pelo país e recente chegada ao Mato Grosso do Sul da variante P1 do novo coronavírus. Atualmente, os exames de covid-19 analisados pelo Lacen estão na marca dos 8 a 9 mil, semanais.

Ainda segundo a assessoria de comunicação da Secretaria de Estado de Saúde, a unidade possui capacidade diária de processamento de 1,5 mil exames de covid-19 - os exames em questão são o RT-PCR, o chamado 'padrão ouro', já que possui maior precisão.

Reforço - Em fevereiro, a SES recebeu da rede de frigoríficos JBS a doação de um extrator de material genético que serviu para acelerar o ritmo das análises do Lacen. Contudo, o prazo para análises depende também de outros equipamentos. Ao todo, há três máquinas de extração de material genético no Lacen.

Mesmo diante da alta demanda revelada por Geraldo Resende e confirmada pela SES, o boletim epidemiológico mostra uma queda de amostras em análises e de casos sem encerramento nos sistemas pelos municípios.

De acordo com o boletim de 12 de janeiro, segunda terça-feira daquel mês, haviam 2.108 amostras em análise e 6.560 casos 'empacados' nos municípios. As notificações da doença estavam em 494.423. Já em fevereiro, no dia 9, também segunda terça-feira do mês, era 301 amostras em análise e 4.841 paradas nos municípios.

Naquela época, as notificações estavam em 552.965. Já nessa terça-feira, também a segunda do mês de março, os casos em análise eram 776, com 5.402 parados nos municípios e 610.264 notificados registrada em Mato Grosso do Sul.

Demora - Os relatos em demora para conseguir marcar a testagem e também em receber o resultado dos exames são muitos, e aparece entre eles o caso da jovem autônoma Caroline da Cunha Gonzales, de 23 anos. O local que ela tenta e não consegue fazer a coleta é a UBS (Unidade Básica de Saúde) do bairro Universitário, na Capital.

O caso foi registrado na última segunda-feira (8) pelo Campo Grande News. Caroline mora com a mãe, de 50 anos, e com a avó, de 72 anos, e apresenta sintomas da doença há uma semana, sem conseguir o agendamento do teste RT-PCR.

Em contato com a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde Pública), foi informado que há 700 testes disponíveis por dia em Campo Grande em 24 unidades de saúde, além de uma aos finais de semana. O teste rápido pode ser feito de imediato, porém o RT-PCR deve ser agendado por telefone, sendo feito pelo Corpo de Bombeiros.

Ainda segundo a secretaria, nas últimas semanas houve um aumento em torno de 20% a procura pelos testes devido o aumento no numero de casos, porém não é possível afirmar que a fila de espera seja de duas semanas. Também foi feito contato com o Corpo de Bombeiros para saber informações sobre os testes, mas não houve retorno.

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