Quarta concorrente supera mais da metade da prova técnica para operar a Lotesul
Única empresa de MS no certame avançou em cerca de 60 dos 110 itens exigidos
O processo licitatório para escolha da empresa que vai implantar e operar a plataforma tecnológica da Lotesul avançou nesta terça-feira (28), em Campo Grande, com a Dodmax Tecnologia S/A cumprindo mais da metade da prova prática exigida pelo governo de Mato Grosso do Sul. Única concorrente com sede no Estado ainda na disputa, a empresa deve retomar o exame no período da tarde após a suspensão temporária dos trabalhos.
RESUMO
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A empresa Dodmax Tecnologia S/A avançou na licitação para operar a plataforma da Lotesul, em Mato Grosso do Sul, ao realizar testes práticos em Campo Grande. Durante a Prova de Conceito, a companhia demonstrou funcionalidades de segurança, como validação de CPF e mecanismos de jogo responsável, além de sistemas antifraude. Apesar de uma falha técnica na rede governamental ter pausado os trabalhos, a empresa busca gerir receitas anuais estimadas em 51 milhões de reais com o serviço.
A PoC (Prova de Conceito) começou por volta das 8h30, na Setdig (Secretaria-Executiva de Transformação Digital), no Parque dos Poderes. Até a paralisação, às 11h30, cerca de 60 dos 110 itens previstos no roteiro técnico já haviam sido executados. A retomada estava programada para as 13h30.
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A Dodmax foi fundada em 2024 pelo advogado e pecuarista Mauro Luiz Barbosa Dodero e atua no desenvolvimento de sistemas para computador. Outras três empresas participantes do pregão eletrônico já foram eliminadas justamente por não conseguirem atender às exigências dessa fase prática, considerada decisiva no certame.
A apresentação começou com a demonstração das funcionalidades básicas do sistema. Às 9h12, teve início o roteiro oficial com os 110 requisitos técnicos que precisam ser comprovados perante a comissão avaliadora.
Entre os primeiros itens analisados estavam mecanismos de separação entre valores oriundos de bônus promocionais e dinheiro real depositado pelos usuários. O objetivo é impedir que créditos promocionais sejam convertidos em saque indevido.
Outro ponto exigido foi a integração com bases oficiais, como a Receita Federal, para validação automática de CPF. A funcionalidade é considerada essencial para impedir cadastro irregular e apostas feitas por menores de idade.
A plataforma também precisou demonstrar mecanismos voltados ao chamado jogo responsável. Durante a apresentação, os técnicos mostraram cartilha digital que ficará disponível aos usuários dentro do próprio sistema, com orientações sobre limites, comportamento seguro e prevenção ao vício em apostas.
Na área antifraude, o governo exige controles específicos de monitoramento. Um dos apresentados foi a vigilância sobre os 10 jogadores com maior volume financeiro movimentado na plataforma, permitindo acompanhamento mais próximo de operações atípicas.
Outro item apresentado foi o controle sobre contas inativas, que podem eventualmente ser utilizadas em tentativas de fraude ou movimentações irregulares.
A banca também avaliou a versatilidade tecnológica do sistema. A solução demonstrada pela empresa apresentou capacidade para operar tanto modalidades tradicionais de loteria quanto apostas esportivas, já que o governo estadual ainda não definiu o modelo de operação.
Durante o teste, houve inclusive uma simulação prática de aposta em uma partida fictícia entre Flamengo e Palmeiras.
Outro requisito analisado foi a parametrização completa de dados dos usuários, registrando quem realizou a aposta, local de origem, horário da operação, meio de pagamento utilizado e demais informações necessárias para auditoria e rastreabilidade.
A interrupção ocorreu no item 61, referente ao Sistema de Cofre Eletrônico para Regulação. Trata-se de um dos módulos mais sensíveis da plataforma, responsável pelo controle financeiro e fiscalização dos recursos movimentados.
Segundo a estrutura apresentada, existem dois cofres digitais, um vinculado à plataforma operadora e outro vinculado ao governo estadual.
Esse sistema permite segregação de valores, rastreamento de movimentações, transparência arrecadatória e acompanhamento regulatório em tempo real.
Conforme o acompanhamento da prova, o acesso ao item 61 ficou travado por bloqueio na rede do governo. O problema, segundo o que foi observado no local, não decorreu de falha da empresa, mas de limitação técnica do ambiente oficial utilizado na avaliação.
Antes de surgir o problema no item 61, a comissão decidiu avançar temporariamente para outros pontos do checklist, pulando para o item 72. Do 72 ao 79, os requisitos foram cumpridos normalmente.
Entre esses itens estavam: registro de operadores autorizados; painel de arrecadação de impostos; identificação da região de origem das apostas; número de jogadores ativos em tempo real.
Às 10h48, os avaliadores retornaram ao item 61, mas o bloqueio persistiu até 11h30, quando houve a suspensão temporária dos trabalhos. Na tarde desta terça-feira (28), a continuidade do exame foi adiada para o dia 5 de maio, por falta de conexão de internet no prédio.
O pregão eletrônico tem como objeto a contratação de empresa especializada para implantar e operar a plataforma tecnológica que fará o controle das atividades lotéricas da Lotesul.
A Dodmax propôs ficar com 69% da receita operacional da plataforma. A estimativa é que a loteria estadual possa gerar mais de R$ 51 milhões por ano em receitas.
O proprietário da empresa acompanhou a prova de uma sala ao lado do local de apresentação, junto à imprensa, mas preferiu não se pronunciar.
O resultado da Prova de Conceito não será anunciado no local. Ele será publicado no Diário Oficial do Estado.
(*) Matéria alterada às 14h42 para acréscimo de informação.


