ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no Twitter Campo Grande News no Instagram
JUNHO, QUINTA  13    CAMPO GRANDE 31º

Cidades

Rede do tráfico de cocaína contava com policiais, empresários e até assassino

Prisões foram cumpridas durante operação do Gaeco nesta terça-feira, em Campo Grande e Ponta Porã

Por Dayene Paz | 27/03/2024 10:37
Advogados de um dos presos chegando na Depac Cepol, na manhã desta terça-feira. (Foto: Henrique Kawaminami) 
Advogados de um dos presos chegando na Depac Cepol, na manhã desta terça-feira. (Foto: Henrique Kawaminami)

Tráfico de cocaína em larga escala, entre Ponta Porã e Campo Grande, droga que era distribuída para o restante do país, contava com esquema sofisticado e, segundo a investigação, "estruturado". Além dos policiais civis, que levavam droga em viaturas oficiais e até faziam escoltas de caminhões com entorpecente, o grupo contava com empresários e até assassino.

É o que aponta a investigação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), que deflagrou a Operação Snow nesta terça-feira (26). Foram emitidos 54 mandados judiciais, entre prisões e busca e apreensões, cumpridos com apoio de policiais militares.

Os investigados levados para a Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) do Cepol, de onde foram levados para audiência de custódia, na manhã desta quarta-feira (27). Todos tiveram as prisões mantidas pela Justiça de Mato Grosso do Sul.

Policiais alvos - Em relação aos policiais civis que faziam parte da quadrilha, foram emitidos cinco mandados, dois de prisão preventiva e três de busca e apreensão, todos cumpridos. A PCMS (Polícia Civil de Mato Grosso do Sul) divulgou que os agentes estão custodiados no Presídio de Trânsito e 3ª Delegacia de Polícia da Capital. Apenas um dos policiais foi identificado pela reportagem, como sendo Hugo César Benites.

Outros alvos - Três mandados, de prisão e de busca e apreensão, foram cumpridos na mesma família. Foram presos: Douglas de Lima de Oliveira Santander, 35; o pai Natoni Lima de Oliveira; e a mãe de Douglas, a empresária Darli Oliveira Santander. Douglas é réu por matar a tiros Cristian Alcides Lima Ramires, em outubro de 2022.

Ainda, foram presos: Franck Santos de Oliveira, 46, que acabou também autuado em flagrante por porte irregular de arma de fogo de uso permitido; Ademar Almeida Ribas; e Ademilson Cramolish Palombo, o "Alemão", envolvido no caso do garagista e agiota Carlos Reis de Medeiros de Jesus, 52, o "Alma", morto e esquartejado em Campo Grande. Ademilson devia alta quantia ao garagista, cujo corpo nunca foi encontrado.

Também estão inclusos na lista: Jucimar Galvan, 45 anos, empresário e também autuado em flagrante por porte ilegal de arma de fogo; Adriano Diogo Veríssimo, 32, motorista de caminhão e com passagem por ameaça no âmbito da violência doméstica; Eric do Nascimento Marques; Joesley da Rosa, 35, motorista de caminhão; Márcio André Rocha Faria, administrador também flagrado com arma na operação; Mayk Rodrigo Gama; Rodney Gonçalves Medina, empresário com passagens por tráfico de drogas em São Paulo; e Wellington de Sousa Lima, 27, conhecido como "garganta" e fichado na polícia por furto.

Ainda, há mandados para serem cumpridos, mas a reportagem não teve acesso aos nomes.

Entenda - Segundo a investigação do Gaeco, que contou com o auxílio da Corregedoria da Polícia Civil e da Polícia Rodoviária Federal, a organização criminosa era altamente estruturada. "(...) com uma rede sofisticada de distribuição, com vários integrantes, inclusive policiais cooptados, fazia o escoamento da droga, como regra cocaína, por meio de empresas de transporte, as quais eram utilizadas também para a lavagem de capitais, ocultando a real origem e destinação dos valores obtidos com o narcotráfico."

Para isso, a cocaína era escondida em carga lícita, ou seja, com documentações legais, o que dificultava a fiscalização policial nas rodovias "principalmente quando se tratava de material resfriado/congelado (carnes, aves etc.), já que o baú do caminhão frigorífico viajava lacrado".

Outra maneira que utilizavam para traficar a droga de Ponta Porã a Campo Grande era o chamado “frete seguro”. “(...) policiais civis transportavam a cocaína em viatura oficial caracterizada, já que, como regra, não era parada, muito menos fiscalizada por outras unidades de segurança pública”, aponta a investigação.

A quadrilha ainda fazia a transferência da propriedade de caminhões entre empresas usadas pelo grupo e os motoristas, desvinculando-os dos reais proprietários. Com isso, chamavam menos atenção em eventual fiscalização policial, porque, em regra, a liberação é mais rápida quando o motorista consta como dono do veículo.

Durante a investigação, foi possível identificar mais duas toneladas de cocaína da organização criminosa, apreendidas em ações policiais.

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.

Nos siga no Google Notícias