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Campo Grande, Domingo, 21 de Outubro de 2018

12/04/2012 09:59

Adolescente que feriu agente e fugiu de unidade seria solto nesta 5ª feira

Aline dos Santos e Nadyenka Castro

Ele escapou pelo telhado, burlando as grades e a cerca elétrica do sobrado

Unidade de semiliberdade fica localizada no bairro Sílvia Regina. (Foto: Minamar Júnior). Unidade de semiliberdade fica localizada no bairro Sílvia Regina. (Foto: Minamar Júnior).

O adolescente de 16 anos que fugiu após ferir um agente na unidade educacional de semiliberdade Tuiuiú, em Campo Grande, já tinha alvará de soltura expedido e deixaria o local nesta quinta-feira pela porta da frente.

Contudo, horas depois de ser flagrado fumando maconha com outros colegas, agrediu o inspetor educacional Delmário Guimarães de Araújo, e fugiu pelo telhado, burlando as grades e a cerca elétrica do sobrado, no bairro Sílvia Regina.

A agressão foi por volta das 21h. Após a atividade religiosa, os agentes estranharam o silêncio e fizeram a ronda de rotina. Ao entrar no alojamento, o agente foi agredido com um pedaço de madeira que o adolescente retirou da cabeceira da cama.

Ele sofreu um corte na testa e ferimento no braço. O agente é inspetor educacional há 10 anos. Delmário foi levado pelo Corpo de Bombeiros ao Prontomed e já teve alta.

De acordo com os outros funcionários, o alojamento tinha cheiro de entorpecente. Após a agressão, o rapaz passou por um buraco na laje, fugindo pelos telhados dos imóveis vizinhos. O adolescente estava sozinho no alojamento, pois os outros três colegas de quarto estavam na escola.

De acordo com o diretor Ataliba Ferreira Júnior, o rapaz já sabia que seria solto em breve e sempre questionava quando deixaria a unidade de semiliberdade. “Acho que ficou com medo do flagrante e fez isso”, avalia o diretor. O alvará de soltura chegou ontem à noite. Conforme os agentes, o ataque foi de repente, quando a maioria das luzes da casa já estava apagada.

O agressor se tornou um adolescente infrator aos 11 anos, quando esfaqueou um colega de escola. Ele foi internado devido à tentativa de homicídio. Em 2010, fugiu da unidade educacional de semiliberdade. Com ordem da Justiça, ele se reapresentou e voltou para o semiaberto. Na unidade, ele não tinha mau comportamento. Calado, preferia ficar afastados dos outros internos. Nos últimos tempos, vivia perguntando quando iria sair.

Agora, o juiz será informado da agressão e fuga, o que deve levar à revogação do alvará de soltura. Da confusão ocorrida na noite de ontem, sobraram marcas de sangue pelo piso e calçada do imóvel, que eram lavadas na manhã de hoje por dois adolescentes.

A unidade educacional de semiliberdade tem 12 adolescentes, sendo a capacidade para 14 pessoas. O local já chegou a ter 16 internos. Ao dar entrada na unidade, eles são matriculados automaticamente na escola. Em outra frente, a direção e familiares buscam oportunidade de emprego para os rapazes.

O semiaberto recebe os adolescentes em três situações: quando o juiz avalia que a internação e regime fechado é desnecessária, como medida de progressão de pena ou regressão quando o adolescente que está em liberdade assistida descumpre alguma norma.

“Temos que estar sempre controlando”, afirma o diretor Ataliba Ferreira Júnior. (Foto: Minamar Júnior)“Temos que estar sempre controlando”, afirma o diretor Ataliba Ferreira Júnior. (Foto: Minamar Júnior)

Na primeira quinzena de internação, eles podem receber visitas da família. Depois desse período, os adolescentes vão para a casa aos fins de semana. Assistentes sociais acompanham o comportamento dos menores de idade na escola e também no ambiente familiar.

“Temos que estar sempre controlando”, afirma o diretor. Ele relata que a maioria dos adolescentes tem baixa escolaridade e não tinha limites dentro de casa. “É uma idade complicada. Eles não querem cumprir regras”, afirma.

Reclamações - No entorno da unidade, no bairro Silvia Regina, os moradores afirmam que se sentem incomodados, contudo, até ontem, não tinha acontecido nenhum fato de gravidade.

“Até ontem era calmo. A gente sabe que a presença deles é arriscada. Acho que não deveria ter, por ser um bairro de família”, afirma o aposentado José de Lima, de 61 anos.

A estudante Aline dos Santos, de 23 anos, conta que assinou o abaixo-assinado para que a unidade saia do bairro. “Eles sabem a rotina dos moradores e podem passar para outras pessoas”, relata. Outra reclamação da jovem é que eles ficam na sacada do prédio, mexendo com os pedestres.

O aposentado José Garcia, de 84 anos, também questiona a unidade educacional na vizinhança. “Os meninos não interferem na minha vida. Mas isso aqui é um bairro familiar”, afirma.

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Infelizmente existem pessoas que ainda não passaram por uma situação extrema como essa pra achar que o usuário e o traficamente são seres humanos, isso posso dizer, que eram e podem voltar a ser, desde que tratados, mas do jeito que estão não existe solução, a maldade esta latente, tanto aqui para os trabalhadores das medidas como para a população que acha de ficar só criticando pequenas coisas
 
Delmario Guimaraes de Araujo em 14/04/2012 11:28:16
A preocupação em defesa da situação desses infratores deixa uma brecha para um bom conselho: "Está com pena deles? Adote um." Quem sabe ele, num dia após cheirar, fumar e orar mate a família quase toda.
 
Ezio José em 12/04/2012 12:35:35
Certamente que, nós, dos Direitos Humanos nos preocupamos com o adolescente e com o Delmário. A preocupação maior fica por conta de pessoas como o senhor Diego Vasconcelos que, parece-nos estar desconsiderando e discriminando os humanos. Isto é preocupante! Já é hora dos desinformados pararem de achar que pessoas que se dedicam a defesa dos direitos humanos só pensam nos criminosos.
 
Marco Aurélio em 12/04/2012 12:24:25
Não é preconceito, Sra. Katiuscia. Infelizmente é medo e senso de REALIDADE.

Fique atenta para o fato de que, se o amor e/ou a educação falharem, e o menor matar, estuprar, roubar, sambar na cara da sociedade e ETC, a justiça também será falha, afinal NEM CRIME MENOR NO BRASIL COMETE. Por pior que seja a desgraça, é ato infracional.
É tanto AMOR que deixa a justiça ainda mais cega.
 
Madalena Sortioli em 12/04/2012 11:36:36
Enquanto isso, a Superintendência de Assistência Sócioeducativa finge que não viu nada. "Observação ao CGN: Art.5º-IV, da Constituição Federal: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato”
 
Diego Vasconcelos em 12/04/2012 11:18:36
A nossa sociedade deveria ser menos preconceituosa e uma unidade de atendimento semi aberto... e nao um presidio federal .... criticar querer mudar a lei sao grandes erros dessa sociedade preconceituosa... menor deve ser tratado como menor educação e amor sao grandes fatores para que nao se tornem infratores....agora as uneis terao atendimento para os depedentes quimicos
 
katiuscia ferreira `Psicopedagoga e Psicanalista do Adolescente em 12/04/2012 11:09:59
Certamente o pessoal dos Direitos Humanos estão preocupados se o adolescente se feriu quando saiu pelo telhado, se não se machucou!
 
Diego Vasconcelos em 12/04/2012 10:24:00
vou falar serio hemmm!!!! cade os direitos humanos para dar assistecia a esse agente ferido e sua familia....outra, o agente de medidas socio educativas esta abandonado e nao tem com quem contar essa e a verdade!!!!!!!!!
 
flavio machado silva em 12/04/2012 08:59:00
Eu gostaria de pedir a sociedade como um todo, organizada ou não, que parasse de ser hipócrita e assuma sua parcela de culpa com relação essa parcela de jovens em conflito com a Lei, pois eles são o produto final do lixo da sociedade, e agora queremos colocar o lixo debaixo do tapete?
 
Jose fagundes da silva em 12/04/2012 05:22:35
Infrator desde os 11 anos; reincidente em fugas... alguém acredita em sua regeneração? Nada mais certo que a sabedoria popular que diz: "pau que nasce torto nunca endireita e até a cinza fica torta".
 
Adriano Roberto dos Santos em 12/04/2012 03:10:11
cont. do com. acima. Meu amigo Marco Aurélio a sociedade ficaria muitissimo grata se vcs dedicassem um pouco do precioso tempo d vcs e tbm olhassem pelo trabalhador que q paga religiosamente seus impostos e é tão massacrado pelo poder público em vez de fazerem tantas visitas em instituições prisionais deem uma passada d vez em quando nos postos d saude e hospitais públicos vcs irão se surpreender
 
donizete canale em 12/04/2012 02:57:40
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