Reencontro com árvore plantada pelo pai emociona filha após 20 anos
Registro ganhou novo significado quando filha retornou ao local e viu a "muda" hoje gigantesca
Uma muda de água-pomba plantada décadas atrás virou mais do que uma árvore. Para Anay Serra de Oliveira,de 45 anos, ela se transformou em um elo vivo com a infância e com o pai, Maurício Borba de Oliveira, de 75, que plantou uma pequena muda em frente ao local onde trabalhava. Anos depois do registro feito na infância com a árvore ainda pequena, Anay reencontrou a água-pomba só que desta vez, ela estava gigantesca. Mais de 20 anos separam os momentos fotografados pelo pai.
RESUMO
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A história começou no antigo CERA (Centro de Educação Rural de Aquidauana), que mais tarde daria lugar à UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul). Na época, o local funcionava como uma escola técnica em agropecuária e era conhecido por formar os chamados “agriculinos”. Foi ali que Maurício trabalhou por 23 anos, na sala de mecanografia e também como meteorologista, e foi ali que ele plantou a muda. Ele havia plantado algo que cresceria junto com a filha.
“Era uma mudinha pequenininha. E eu passei minha infância indo lá, eu brincava lá, ele me levava na parte da manhã, que eu estudava à tarde, eu ficava à tarde lá com ele brincando, então eu tenho muita lembrança”.
A unidade ficava a cerca de 15 quilômetros da cidade, cercada por atividades agropecuárias e natureza. Para Anay, isso significava uma infância fora do comum. Ela passava tardes inteiras no local acompanhando o pai, explorando espaços, observando criações e aprendendo de forma prática. Não havia roteiro, tudo era improvisado.
Maurício levava a filha para ver o bicho-da-seda, criação de porcos e áreas de cultivo. Tudo virava descoberta. O que poderia parecer apenas rotina de trabalho para um adulto se transformava em aventura para uma criança.
Essa convivência constante moldou uma relação próxima e dinâmica. O pai, apaixonado por plantas, demonstrava conhecimento detalhado sobre espécies, frutos e árvores, identificando cada uma com facilidade. Mais do que ensinar nomes, ele transmitia curiosidade.
Fora do ambiente da escola, a lógica era a mesma. Trilhas, cachoeiras, córregos e incursões pelo Pantanal faziam parte da rotina. A infância de Anay foi marcada por movimento, exploração e tempo compartilhado, algo que, na prática, vale mais do que qualquer discurso sobre vínculo familiar.
“Quando eu revi a árvore, foi muito mais emocionante do que eu imaginei. Porque me veio o amor que meu pai tem por planta. Meu pai ama árvores. Ele conhece tudo, quanto é tipo de fruta. Conhece tudo e ele ama isso. Associa esse amor comigo. Então, eu lembrei disso, da minha infância, que eu passei muitos anos indo às tardes e ele me mostrava tudo. Me levava onde achava que eu iria gostar. E era muito legal, eu amava ir”.
A foto tirada nesse reencontro ficou guardada até reaparecer como lembrança no aniversário de Anay em 2026. Foi o suficiente para que ela decidisse compartilhar a história.
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