Piloto morto em queda de aeronave foi condenado por esquema de cocaína
Apontado como dono do avião do tráfico, registrou a aeronave em nome de laranja inconsciente, diz MP Federal
O piloto Gabriel Bispo Gonçalves, de 29 anos, morto carbonizado na queda de um avião na madrugada deste sábado (18), na zona rural de Altair, nas proximidades de Olímpia (SP), havia sido condenado pela Justiça Federal por envolvimento em esquema ligado ao tráfico de drogas com uso de aeronave irregular. Ele morava no distrito de Sanga Puitã, em Ponta Porã, cidade localizada a 313 quilômetros de Campo Grande.
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Gabriel, apontado como dono da aeronave utilizada no caso, foi condenado em 24 de novembro de 2023 a 8 anos e 2 meses de reclusão. Na mesma decisão, também foi condenado o piloto André Luiz Arruda Acosta, de 34 anos, a 11 anos de prisão pela tentativa de transporte de 300 quilos de cloridrato de cocaína, em dezembro de 2022.
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Segundo a denúncia, Gabriel foi o responsável pela aquisição do avião, providenciando o registro em nome de uma “laranja inconsciente”. A aeronave acabou interceptada pela FAB (Força Aérea Brasileira) em Fátima do Sul, a 239 quilômetros de Campo Grande.
André Acosta foi autuado em flagrante por associação ao tráfico e atentado à segurança de voo, por comandar aeronave com licença vencida e pilotar sob efeito de entorpecentes. À época, as habilitações do piloto estavam vencidas há quatro anos e, mesmo assim, ele seguia realizando voos clandestinos. O avião também estava suspenso para operações, conforme registros da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).

Durante a investigação, o piloto afirmou que havia pousado em Fátima do Sul para reabastecimento e que seguiria para a fronteira, onde a cocaína seria embarcada. Ele disse ainda que receberia R$ 80 mil para transportar a carga até São Paulo. Antes de ser levado para a carceragem, policiais encontraram 15 gramas de maconha escondidas nas partes íntimas dele.
O caso foi investigado pelo Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado). O suposto proprietário formal da aeronave foi ouvido e alegou desconhecer que constava como dono de um avião avaliado em pelo menos R$ 1,2 milhão.
Acidente aéreo - Gabriel morreu na queda de um avião modelo Cessna U206E, prefixo PT-XRI, na Fazenda Ponte Alta, em uma área próxima à frente de colheita de cana-de-açúcar de uma usina da região.
Funcionários relataram ter visto um forte clarão seguido de incêndio, o que levou ao acionamento imediato da Polícia Militar. Quando as equipes chegaram ao local, a aeronave já havia sido completamente consumida pelas chamas. O corpo do piloto foi encontrado carbonizado no interior da fuselagem.
Familiares foram comunicados e aguardam os trâmites legais para o reconhecimento oficial e posterior translado do corpo para Mato Grosso do Sul.
Aeronave irregular - De acordo com dados do RAB (Registro Aeronáutico Brasileiro), o avião estava com o Certificado de Aeronavegabilidade suspenso em razão do vencimento do CVA (Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade), expirado no último dia 9 de abril de 2026. A condição indica que a aeronave não estava autorizada a operar no momento do acidente.


